A médica
Cristina Hachul Moreno
busca o equilíbrio. Os dias da semana da cirurgiã plástica são
divididos entre a atividade profissional intensa, cardápio controlado,
treinos de corrida e aulas de pilates. As jornadas de sono, por isso,
são curtas e feitas em horários regulares: cinco a seis horas diárias.
Nos fins de semana, o hábito muda um pouco - e para melhor -, com noites
com até oito horas de sono, além de uma ingestão moderada de bebida
alcoólica com os amigos. A exceção ocorre quando ela participa de provas
de corrida, quando o descanso é reduzido a cinco horas e o álcool vai a
zero. Noitadas de vigília, nem pensar. “Para mim, é fundamental manter
esse equilíbrio de semana regrada e fim de semana um pouco mais leve.
Sem ele, os treinos e a vida seriam muito chatos”, diz Cristina. “A
flexibilização da dieta, da bebida e do sono garante energia para a
semana corrida, como se fosse um recarregar de baterias.”
A psicóloga Gabriela Felix Teixeira, do setor de Promoção de Saúde do
Fleury Medicina e Saúde, explica que, de fato, a quebra de rotina no
fim de semana pode ser benéfica como forma de interrupção do estresse do
dia a dia. Mas, para ter realmente esse efeito, deve ser adotada com
moderação. Isso pode incluir a degustação de cerveja ou vinho entre
amigos. O problema, concordam os especialistas, aparece se houver
exageros. Isso ocorre quando, em vez de degustar uma bebida alcoólica, a
pessoa se embriaga. Ou, ainda, quando troca jornadas regulares de sono
por noitadas ininterruptas no fim de semana. Privar-se de doces de
segunda a sexta para comer a caixa inteira de bombons não vale como
rotina equilibrada. Em resumo, até para “sair da linha” é preciso
moderação. “Só podemos falar em saúde, bem-estar e qualidade de vida
quando temos o equilíbrio como referência. A prática de hábitos
saudáveis deve ser constante, seja no fim de semana ou durante a
semana”, diz Gabriela.
Precisa de tanto?
Nutricionistas e psicólogos concordam que a origem dos exageros de
fim de semana é a rigidez adotada durante a semana. Quem se impõe
hábitos excessivamente severos de segunda a sexta-feira depara-se com um
desejo de compensação irrefreável aos sábados e domingos, o que pode
ser prejudicial. “Do ponto de vista psicológico e comportamental, quando
alguém segue regras inflexíveis, a chance de aparecerem exageros e
distorções é enorme.
Assim, dietas restritivas muitas vezes criam comportamentos
alimentares transtornados, que podem provocar resultados contrários, com
perda de controle e, consequentemente, ganho de peso”, afirma o
psicólogo Michel
Indalécio de Souza, do setor de Promoção de Saúde do Fleury.
O melhor caminho, portanto, seria procurar o equilíbrio. Ou seja,
encontrar – de preferência com a ajuda de especialistas – dietas,
práticas e hábitos adequados à harmonia de cada organismo. “Alimentar-se
de forma saudável não significa adotar uma dieta restritiva que
provoque fome”, diz a nutricionista Alessandra Belickas Carreiro, do
departa mento de Gestão de Saúde do Fleury. “Quando um indivíduo é
rigoroso demais a respeito do que pode ou não comer, o desejo de obter
aqueles alimentos aumenta. Quando ele se permitir ingeri-los,
possivelmente haverá exagero.” E isso, acrescenta a nutricionista,
ocorre justamente no fim de semana – quando nossa mente produz uma
espécie de “suspensão” das regras.
O engenheiro químico
Rafael Caetano, de 28 anos, é
adepto do regime da semana compartilhada: mais controle de segunda a
sexta-feira e certa flexibilidade aos sábados e domingos. Ele tem uma
tática para evitar desequilíbrios para qualquer lado: nada de exageros.
Apreciador de vinho, ele dilui a bebida entre todos os dias da semana.
De segunda a sexta-feira, a ingestão se dá em pequenas doses - em geral,
uma a duas pequenas taças; no fim de semana, o volume pode ser um pouco
maior. “Os fins de semana são, ao mesmo tempo, um dos poucos momentos
de desligamento mental do trabalho e de oportunidade de estar com
familiares e amigos. Excesso de rigidez nessas horas me privaria de
momentos de prazer e satisfação genuínos”, diz Rafael. A prática de
moderação, que inclui atividades físicas durante a semana e refeições
balanceadas, foi construída a partir de recomendação médica, seguida à
risca depois da descoberta de um quadro de resistência à insulina.
A nutricionista Alessandra lembra que o conceito de alimentação
saudável engloba fatores como quantidade, qualidade, horários regulares,
frequência de consumo e o prazer que os alimentos fornecem. Também
entram na conta características individuais e preferências alimentares.
“O ideal, por isso, é buscar uma orientação especializada, visto que as
recomendações podem mudar dependendo de cada grupo ou doença associada
àquele indivíduo”, completa. Ainda assim, há regras universais para a
boa mesa – válidas para qualquer dia da semana. É o caso do consumo
diário de legumes, frutas e cereais integrais, preferência pelas carnes
brancas e pelo fracionamento de refeições, além da hidratação
permanente. O álcool também exige regulação.
A recomendação diária máxima é de duas porções ao dia, para homens, e de
uma, para mulheres, considerando-se que o volume das porções varia de
acordo com o teor
alcoólico: uma taça de 150 mililitros para o vinho tinto, uma lata para
as cervejas e 40 mililitros para os destilados.
Sono demais
Ao lado da flexibilização da rotina alimentar, a mudança de hábito do
sono deve ser observada com atenção. Alterações bruscas na rotina podem
ter efeitos negativos. “Dependendo da frequência e intensidade da
alteração do ciclo de sono, geralmente necessita-se de pelo menos 48
horas para retornar ao padrão anterior”, diz o psicólogo Michel. A
empresária
Maristela Goulart divide sua semana em duas
partes. De segunda a sexta-feira, ela mantém uma rotina rígida,
controlando dieta alimentar e alcoólica, jornadas de sono e exercícios
físicos. Tudo começa na alvorada, às 5h30. Quatro vezes por semana, ela
alterna corrida e musculação. Segue, então, um café da manhã
meticulosamente planejado: mamão papaia com cereais, pão integral com
azeite e queijo branco. No almoço, salada multicolorida e grelhado e, no
jantar, lanche natural. O período entre as refeições é preenchido com
frutas e iogurte, além de muita água. No entanto, aos sábados e
domingos, a rotina é alterada: as refeições perdem a rigidez quanto ao
horário e cardápio. “Nesses dias, eu me permito comer um pouco de massa
com a família, degustar um bom vinho ou um pouco de cerveja com os
amigos.
À noite, não dispenso uma boa pizza, sem deixar de lado a ingestão de
água e o fracionamento das refeições”, diz a empresária. “Para mim, isso
funciona como ponto de equilíbrio para uma vida mais saudável, que
inclui convívio familiar e social e promove meu bem-estar mental e
emocional.”
É possível encontrar o ponto de equilíbrio na alimentação, no sono,
no álcool e na atividade física. Não há negociação possível, contudo,
quando o assunto é tabaco. Cigarro e similares não são tolerados em
nenhuma medida, e são descartados pelos especialistas como itens de
compensação saudável. Trabalhos científicos que acompanham não fumantes e
fumantes eventuais apontam que, para estes, o prejuízo à saúde é
bastante significativo. A psicóloga Gabriela lembra que a própria
indústria tabagista alerta para os malefícios das substâncias presentes
nos cigarros, em qualquer dose: o efeito é cumulativo e compromete o
organismo, não importa a concentração. “Apesar do uso ocasional
aparentemente trazer menor prejuízo ao organismo, o tabagista sempre
terá uma probabilidade maior de adoecer. Afinal, as substâncias tóxicas
que são ingeridas acabam provocando efeitos danosos ao organismo.”
É possível flexibilizar rotinas de alimentação, sono e até álcool no fim de semana sem prejuízos à saúde. Mas é preciso
evitar exageros
Cristina Hachul tem cardápio e sono controlados, faz pilates e corrida
durante a semana, mas descontrai com uma certa flexibilização aos
sábados e domingos
Maristela Goulart não abre mão do vinho e de uma boa massa nos fins de
semana, mas compensa com uma rotina rígida de alimentação e corrida nos
dias úteis
Quem se impõe hábitos excessivamente severos de segunda a sexta-feira depara-se com um desejo de compensação irrefreável
aos sábados e domingos
Não há negociação possível quando o assunto é tabaco. Cigarros e
similares não são tolerados em nenhuma medida, e são escartados pelos
especialistas como itens de compensação saudável
Rafael Caetano tem maior controle alimentar e faz atividades físicas de
segunda a sexta-feira, mas busca afrouxar as regras no fim de semana
Fonte:
Fleury
Publicado em:
13/06/2013
Edição: 26