terça-feira, 10 de setembro de 2013

Disfunção alimentar, ou transtorno alimentar

É por isso que existimos....

Disfunção alimentar
, ou transtorno alimentar (TA), é um termo amplo usado para designar qualquer padrão de comportamentos alimentares que causam severo prejuízo à saúde de um indivíduo. São considerados como patologias e descritos detalhadamente pelo CID 10DSM IV e pela OMS. Geralmente apresentam as suas primeiras manifestações na infância e na adolescência. O diagnóstico precoce e uma abordagem terapêutica adequada dos transtornos alimentares são fundamentais para o manejo clínico e o prognóstico destas condições. 1
Aproximadamente 90% dos casos são de mulheres jovens, porém recentemente está havendo um aumento no número de transtornos em homens e em adultos de ambos os sexos. 2 Esses transtornos atingem entre 1 e 4% da população e seguem aumentando de frequência significativamente nos últimos anos. 3

Classificações[editar]

Existe um número diversificado de transtornos alimentares dependendo da fonte. Os mais conhecidos são a anorexia e a bulimia, porém existem vários outros segundo as pesquisas:
Devido às idiossincrasias da adolescência, mostram as estatísticas que essas disfunções alimentares são mais freqüentes nessa faixa etária, quase sempre associadas a algum quadro de disfunção emocional, na dinãmica da família, da escola, do trabalho e outras áreas importantes da vida social. Contudo, outras faixas etárias também mostram incidência dessa disfunção alimentar, inclusive bebês.

Causas[editar]

Porcentagem da população obesa no mundo. Segundo o IBGE em 2009 a obesidade no Brasil é de 12% entre homens e 17% entre mulheres.[1]
Assim como todos outros transtornos, envolve múltiplos fatores. Dentre os fatores responsáveis, destacam-se4 :
  • Histórico de transtorno alimentar na familiar 5
  • Histórico de transtornos de humor na família (como depressão ou transtorno bipolar)6
  • Famílias autoritárias (anorexia) ou negligentes (bulimia) 7
  • Contexto sociocultural caracterizado pela extrema valorização do corpo magro 8
  • Disfunções no metabolismo da serotonina e noradrenalina9 10 11
  • Experiência sexual traumática 12 13
  • Certos traços de personalidade (Baixa auto-estima, Introversão, Perfeccionismo (Anorexia), Impulsividade (Bulimia), Instabilidade afetiva, evitativo, ansioso (TCAP)...)
  • Fazer alguma dieta 14
É frequente a comorbidade de transtornos alimentares (TAs) com transtornos de humor, transtornos de ansiedade e dependência química. Sendo assim esses transtornos são considerados fatores de risco para anorexia, bulimia, hipergafia e vigorexia. Transtornos psiquiátricos de membros da família de primeiro grau (geralmente a figura materna) estão entre os principais fatores correlacionados com os TAs. Parentes de primeiro grau de pessoas com anorexia tem 11 vezes mais chance de desenvolverem esse transtorno que o normal enquanto parentes de bulímicos tem 4 vezes mais chance. 15
Mães com anorexia tem 75%-80% de chance de transferirem a anorexia para um ou mais filhos e mães com bulimia tem 45% a 55%. Acredita-se que existe um predomínio dos fatores ambientais sobre os genéticos nessa transferência pois existe uma correlação positiva entre a convivência com a mãe e a transmissão dos transtornos e a terapia comportamental é mais eficaz que a medicamentosa nesses transtornos. 16
Alguns remédios podem alterar o padrão alimentar diminuindo ou eliminando a sensação de fome. Nesse caso não se trata de um transtorno psicológico e sim de um efeito colateral conhecido como anorexia medicamentosa.

Classificações[editar]

Anorexia[editar]

Mulher com anorexia em 1900. Nouvelle Iconographie de la Salpêtrière.
Anoréxicos atingem uma grande perda de massa, de modo que o seu Índice de Massa Corporal se reduza a valores inferiores a 17,5 kg/m². A perda de peso pode ser efetivada por estrita restrição dietética, em adição a exercícios físicos excessivos; outros, em conjunção a esses métodos, também podem abusar de técnicas purgativas (provocar-se vômitos, abusar de laxantes ou diuréticos, etc.) que acreditam resultar em perda das calorias consumidas, sem necessariamente, como no caso da bulimia, ter antes havido períodos de comilança desenfreada.

Bulimia[editar]

Por definição, bulímicos passam por episódios (pelo menos duas vezes por semana) de comilança desenfreada que resultam num consumo de calorias muito superior ao de uma pessoa normal no mesmo período. Seguidos desses episódios, são por eles empregados vários hábitos que visam compensar o ganho calórico, entre os quais os mais usados são as técnicas purgativas; em uma pequena minoria dos casos, porém, bulímicos limitam-se a se exercitar rigorosamente e/ou jejuar por longos períodos, sem provocar a purgação da comida. A bulimia se distingue do tipo purgativo da anorexia, por não haver, no caso do primeiro transtorno, o emagrecimento extremo visto no segundo.

Hipergafia[editar]

Segundo a OMS, Hipergafia é quando um evento traumático resulta em um aumento no consumo de alimentos e consequentemente um rápido aumento de peso, geralmente resultando em obesidade piorando a auto-estima e auto-confiança do indivíduo.

Ortorexia[editar]

É a obsessão por alimentos saudáveis e nutritivos excluindo uma grande quantidade de alimentos, principalmente os mais industrializados, dessa dieta. Quase sempre ocorre em países desenvolvidos.

Pica[editar]

É o impulso de comer objetos não nutritivos nem cuja ingestão é aceita socialmente. Mais comum em crianças e mulheres grávidas. Seu nome é baseado no nome latim de um corvo famoso por comer de tudo .

Sindrome de Prader-Willi[editar]

Afeta crianças independentemente do sexo, raça ou condição social. De natureza genética, mais frequente em quem possui baixa estatura e peso, geralmente envolve retardo mental ou transtornos de aprendizagem e desenvolvimento sexual incompleto se trata de uma necessidade involuntária de comer constantemente, o que quase resulta em outros problemas de saúde como obesidade e problemas cardiacos. Leva a morte caso não tratado. Anti-depressivos ISRS tem se mostrado eficaz restringindo os danos, porém essa síndrome ainda não tem cura.

Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP)[editar]

Conhecido em inglês por binge eating disorder, é uma classificação relativamente recente para a compulsão por comer característica da bulimia que não envolve o uso de métodos extremos de perda de peso como vômito, anfetaminas e laxantes. 30% dos obesos possuem esse transtorno e sua prevalência na população gira em torno de 2%.17

Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) por alimentos[editar]

Semelhante aos outros transtornos obsessivos compulsivos, envolve pensamentos incontroláveis, repetitivos e persistentes, que só são aliviados enquanto o indivíduo se alimenta. Enquanto não se alimentar seguindo suas crenças o indivíduo sofre de uma ansiedade crescente e pensamentos constantes até ceder e é imediatamente reforçado\reforçopositivamente (com o prazer de comer) e negativamente (com o alívio da ansiedade) enquanto estiver comendo. Mesmo que esteja ciente de que seus pensamentos são prejudiciais a si mesmo, irrealistícos e inapropriados o indivíduo não consegue controlá-los. Ao contrário dos outros transtornos alimentares os anti-depressivos são bastante eficazes no tratamento do TOC.

Transtorno de ruminação[editar]

Mais frequente em crianças pequenas é caracterizado pela regurgitação ou remastigação repetida que não podem ser explicados por nenhuma condição médica. Podem resultar em desnutrição, perda de peso, alterações do equilíbrio hidroeletrolítico, desidratação e até morte.18

Vigorexia[editar]

É a obsessão por um corpo musculoso e atraente, quase sempre em homens. Envolve um treinamento muscular obsessivo e alimentação voltada para a manutenção desse corpo com uso frequente de anabolizantes. É classificada junto com os transtornos alimentares por envolver um disformismo corporal reforçado pelo culto a imagem, o desenvolvimento de uma alimentação restritos e hábitos patológicos com causas, consequências e tratamento semelhantes ao da anorexia e bulimia.

Outros transtornos alimentares não específicados[editar]

Cerca de um terço dos diagnósticos feitos usando o DSM IV são classificados como não específicados por não possuirem um ou mais critérios essenciais para a classificação em outro transtorno. Por volta da metade desses transtornos parciais se tornam transtornos completos caso não sejam tratados adequadamente preventivamente. 19

Diagnóstico[editar]

Existem alguns testes psicológicos desenvolvidos especialmente para o diagnóstico de transtornos alimentares gerais como o Teste de Atitudes Alimentares (EAT 26) ou específicos como o Escala de Compulsão Alimentar Periódica (ECAP)20 O diagnóstico geralmente é feito seguindo os critérios do CID-10 ou do DSM IV tanto por médicos, psicólogos ou nutricionistas.
O teste de atitudes alimentares (EAT-26) foi desenvolvido por Garner e Garfinkel, originalmente usado apenas para anorexia mas revisado para identificar outros transtornos alimentares, usa 14 critérios e é voltado especialmente para identificar riscos de saúde. Já está adaptado ao português e é aprovado pela APA21
No caso específico da anorexia nervosa os critérios basicamente envolvem:
  • Comportamentos visando a perda de peso e sua manutenção abaixo do normal;
  • Medo mórbido de engordar;
  • Distúrbio de imagem corporal; e
  • Distúrbio endócrino (ex: amenorréia).
Enquanto os da bulimia nervosa se caracterizam por:
  • Impulso irresistível de comer excessivamente;
  • Evitação do ganho de peso pela indução de vômitos e/ou abuso de purgativos; e
  • Medo mórbido de engordar.
Para o diagnóstico específico da bulimia existe o Bulimic Investigatory Test Edinburgh (BITE) e para o diagnóstico de distorção corporal existe o Body Image Test (BIT).22
Já os critérios diagnósticos dos outros transtornos ainda são controversos e estão sendo discutidos. Critérios importantes como a quantidade de episódios de compulsão alimentar necessários para caracterizar um TCAP ainda não estão definidos, mas estão em torno de duas vezes por semana. 23

Sintomas e outros Sinais de Alerta[editar]

  • Emagrecimento
  • Cuidado excessivo com a alimentação
  • Desculpas para não comer ou comer sozinha
  • Isolamento, alterações de humor e Agressividade
  • Excesso de exercício físico
  • Vômito e uso de laxantes
  • Atitude demasiado crítica quanto à sua imagem

Tratamento[editar]

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Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.
O tratamento mais eficaz deve ser multidisciplinar, com acompanhamento médiconutricional e psicológico, para que se possa alcançar um peso mais saudável, diminuir a influência dos fatores psicológicos mantenedores desse comportamento, medicar com psicotrópicos como anti-depressivos e topiramato, acompanhar a evolução dos sintomas e prevenir ou conter as possíveis patologias associadas. Em casos graves, quando o peso corporal está a mais de 25% abaixo do mínimo ideal (por exemplo abaixo de 45kg quando o ideal é 60kg), pode ser necessária hospitalização. Em caso de obesidade mórbida pode ser feita uma cirurgia bariátrica.
As psicoterapias mais recomendadas são a Terapia analítico-comportamental e Terapia cognitivo-comportamental (39% de desaparecimento de sintomas a curto prazo). Os remédios psiquiátricos por outro lado tem tido eficácia significantemente menor (20% de desaparecimento de sintomas), tornando os psicotrópicos coadjuvantes dos tratamentos psicológico e nutricional mais voltados para tratar as comorbidades (como depressão e ansiedade) do que o transtorno alimentar em si. Os antidepressivos tem efeito melhor que o placebo apenas em 60% dos casos, podem ter como efeitos colaterais causar perda ou ganho de peso e tem 35% de abandono. Todos tratamentos juntos levam ao desaparecimento de sintomas em 49% dos casos. 24

Referências


  1.  APPOLINARIO, José Carlos and CLAUDINO, Angélica M. Transtornos alimentares. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol.22, suppl.2 [cited 2011-02-19], pp. 28-31 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600008&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1516-4446. doi: 10.1590/S1516-44462000000600008.
  2.  Abott DW, Ackerman SH, Agras WS, Banzhaf D, Barber J, Bartlett JC, et al. Practice guideline for eating disorders. Am J Psychiatry. 1993;150:212-24.
  3.  Szmukler GI. The epidemiology of anorexia nervosa and bulimia. J Psychiatr Res. 1985;19:143-53.
  4.  MORGAN, Christina M; VECCHIATTI, Ilka Ramalho and NEGRAO, André Brooking. Etiologia dos transtornos alimentares: aspectos biológicos, psicológicos e sócio-culturais. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2002, vol.24, suppl.3 [cited 2011-02-19], pp. 18-23 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462002000700005&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1516-4446. doi: 10.1590/S1516-44462002000700005.
  5.  Agras S, Hammer L, McNicholas F. A prospective study of the influence of eating-disordered mothers on their children. Int J Eat Disord 1999;25(3):253-62.
  6.  Strober M, Lampert C, Morrell W, Burroughs J, Jacobs C. A controlled family study of anorexia nervosa: evidence of familial aggregation and lack of shared transmission with affective disorders. Int J Eat Disord 1990;9:239-253
  7.  Vandereycken W. The families of patients with an eating disorder. In: Brownell KD, Fairburn CG, editors. Eating disorders and obesity. 3 ed. New York: The Guilford Press; 1995. p. 219-23.
  8.  Stice E, Schupak-Neuberg E, Shaw HE, Stein RI. Relation of media exposure to eating disorder symptomatology: an examination of mediating mechanisms. J Abnorm Psychol 1994;103(4):836-40.
  9.  Spoont MR. Modulatory role of serotonin in neural information processing: implications for human psychopathology. Psychol Bull 1992;112(2):330-50.
  10.  Kaye WH, Ebert MH, Raleigh M, Lake R. Abnormalities in CNS monoamine metabolism in anorexia nervosa. Arch Gen Psychiatry 1984;41(4):350-5.
  11.  Jimerson DC, Lesem MD, Hegg AP, Brewerton TD. Serotonin in human eating disorders. Ann N Y Acad Sci 1990;600:532-44.
  12.  Wonderlich SA, Brewerton TD, Jocic Z, Dansky BS, Abbott DW. Relationship of childhood sexual abuse and eating disorders. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 1997;36(8):1107-15.
  13.  Palmer RL, Oppenheimer R. Childhood sexual experiences with adults: a comparison of women with eating disorders and those with other diagnoses. Int J Eating Disord 1992;12:359-64.
  14.  Hsu LK. Can dieting cause an eating disorder? Psychol Med 1997;27(3):509-13.
  15.  Strober M, Freeman R, Lampert C, Diamond J, Kaye W. Controlled family study of anorexia nervosa and bulimia nervosa: evidence of shared liability and transmission of partial syndromes. Am J Psychiatry 2000;157(3):393-401.
  16.  Woodside DB. A review of anorexia nervosa and bulimia nervosa. Curr Probl Pediatr. 1995;25:67-89.
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  18.  Sokol MS, Steinberg D, Zerbe, KJZ. Childhood eating disorders. Curr Opin Pediatr 1998; 10:369-77.
  19.  Fairburn CG, Walsh BT. Atypical eating disorders. In: Brownell KD, Fairburn CG, editors. Eating disorders and obesity: a comprenhensive handbook. New York: The Guilford Press; 1995. p. 183-7.
  20.  Transtornos alimentares. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2002, vol.24, suppl.2 [cited 2011-02-19], pp. 79-81 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462002000600007&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1516-4446. doi: 10.1590/S1516-44462002000600007.
  21.  Garner DM, Garfinkel PE. The Eating Attitudes Tests: an index of symptoms of anorexia nervosa. Psychol Med. 1979;9:273-9.
  22.  VILELA, João E. M et al. Eating disorders in school children. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2004, vol.80, n.1 [cited 2011-02-20], pp. 49-54 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572004000100010&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0021-7557. doi: 10.1590/S0021-75572004000100010.
  23.  CLAUDINO, Angélica de Medeiros and BORGES, Maria Beatriz Ferrari. Critérios diagnósticos para os transtornos alimentares: conceitos em evolução. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2002, vol.24, suppl.3 [cited 2011-02-19], pp. 07-12 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462002000700003&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1516-4446. doi: 10.1590/S1516-44462002000700003.
  24.  Appolinário JC, Silva JAZ. Farmacoterapia dos transtornos alimentares. In: Nunes MA, Appolinário JC, Abuchaim ALA, Coutinho W. Transtornos alimentares e obesidade. Porto Alegre: Artes Médicas; 1998. p. 164-70.
    Fonte: 
    wikipedia.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Gorda num dia, bulímica no outro

Por que mais jovens sofrem dos dois problemas

Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 14 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismoEntrar na faculdade engorda. Não é de hoje que esse efeito colateral comum a tantos estudantes é observado e estudado. Nos Estados Unidos, existe até um termo popular para designar o ganho de peso que os alunos sofrem no primeiro ano da universidade. É o “freshman 15”. Isso porque os novatos engordam, em média, 15 pounds (6,8 kg) durante o primeiro ano. Universitários costumam consumir mais bebida alcóolica, pular o café da manhã e abusar de fast food. É uma fase desregrada e engordativa. Isso tudo parece óbvio. Menos óbvia, porém, é a quantidade de universitárias obesas que, na tentativa de emagrecer, se tornam bulímicas.

Um estudo recente conduzido pela professora Dianne Neumark-Sztainer, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, revelou que 40% das universitárias acima do peso adotavam comportamentos típicos de quem sofre de distúrbios alimentares como a bulimia. Em geral, elas comem enormes porções calóricas e depois provocam vômitos ou tomam laxantes. Entre os estudantes do sexo masculino, o índice é de 20%.

Ao contrário do que muita gente pensa, vomitar não emagrece. O corpo de quem tem bulimia cria mecanismos de absorção rápida. Manda os alimentos direto para o intestino, como se aprendesse que a comida não vai ficar muito tempo no estômago. Vomitar, portanto, não anula as calorias ingeridas. Usar laxante também não adianta: o remédio age no intestino grosso, quando os nutrientes já foram absorvidos.

“As pessoas estão preocupadas com o fato dos obesos se tornarem mais obesos e os magros se tornarem anoréxicos”, diz Dianne. “Mas ninguém se preocupa com os distúrbios alimentares sofridos pelos jovens que estão acima do peso.” Li essas declarações numa reportagem sobre o assunto publicada pela revista Newsweek e assinada por Johannah Cornblatt.

É um tema revelante. Os danos provocados pelos distúrbios alimentares são graves: infertilidade, perda óssea, dificuldades cognitivas e, em casos extremos, morte. Gordos e magros sofrem disso. Esse fato levanta uma interessante discussão: estimular na população a obsessão pela contagem de calorias traz algum benefício?


A justificativa para espalhar em restaurantes avisos com a quantidade de calorias de alimentos é tentar combater os alarmantes índices de obesidade (60% dos americanos e 40% dos brasileiros estão acima do peso). A medida nasceu de uma boa intenção, mas está provocando efeitos indesejados.

Nos restaurantes universitários americanos, os avisos sobre as calorias dos alimentos assustam as anoréxicas. Elas passam a comer cada vez menos. Também não parecem estar ajudando as obesas. Em vez de usar a informação para fazer combinações equilibradas, elas se apavoram com as calorias ingeridas. Muitas provocam vômitos.

Cartazes com informação sobre calorias foram removidos das paredes dos refeitórios da Universidade Harvard. A justificativa para a remoção foi a surpreendente quantidade de pessoas com distúrbios alimentares que a universidade descobriu fazer parte de sua comunidade.

Quadros como esse são úteis para as pessoas que sabem interpretá-los. Aquelas que entendem que representam guias gerais criados para facilitar escolhas. Na prática, porém, os especialistas têm observado que muita gente superestima o significado dos números.

Muitos se assustam com as 128 calorias de um copo de suco de laranja. Escolhem todos os dias um refrigerante diet com menos de uma caloria. Não levam em consideração o fato de que o suco de laranja garante nutrientes essenciais. O refrigerante é nada.

Esse policiamento ostensivo em torno da contagem de calorias não produz mais saúde - nem física, nem mental. Produz mais neuróticos. Quanto mais informação as pessoas recebem, menos conseguem seguir o caminho do meio, o do equilíbrio.

Tenho visto muitas pessoas com peso normal caindo nessa armadilha. Falam de calorias o tempo todo. Imaginam que o mínimo desvio do que acham ser uma alimentação saudável será capaz de provocar uma catástrofe no organismo. Não percebem que uma rotina de alimentação equilibrada e atividade física nos permite cometer pequenos pecados que dão sabor à vida: um brigadeiro, um torresminho, uma pizza sem um grama de culpa.

Esse distúrbio de comportamento tem nome: ortorexia. Escrevi recentemente uma reportagem de capa sobre isso. Nos próximos anos, é possível que ele seja classificado como um transtorno psiquiátrico -- assim como a bulimia e a anorexia.

Pensei na ortorexia na semana passada, quando recebi uma mensagem aflita de um colega que havia lido uma reportagem sobre os malefícios do açúcar. O que me deixou preocupada foi perceber como a capacidade de julgamento dele estava prejudicada. O rapaz é inteligente, articulado, nada todos os dias, corre algumas vezes por semana e se alimenta de forma muito saudável. As nutricionistas que o acompanham recomendaram que ele consumisse um pouco mais de açúcar para melhorar seu desempenho na atividade física. Não vejo nenhum problema nisso. Mas o meu amigo ficou tão alarmado que resolveu disparar um email no domingão, às 8 horas da manhã, para sondar a minha opinião.

Minha resposta: “Você tem não apenas uma, mas duas nutricionistas cuidando da sua alimentação. Malha a semana toda e gasta todo o açúcar que ingere. Está preocupado por quê? Pare de pensar em dieta e vá ser feliz”. Acho que ele não ficou chateado. Está muito acostumado ao meu estilo objetivo - às vezes, excessivamente objetivo. Mas eu fiquei sinceramente preocupada com a paranoia sobre dieta e malhação que atinge cada vez mais pessoas das minhas relações.

Enquanto preparava a reportagem sobre ortorexia ouvi uma ótima frase da Mara Salles, a premiada chef de cozinha do Restaurante Tordesilhas, em São Paulo. Ela disse tudo: “As pessoas não estão perdendo só o prazer. Elas estão perdendo o juízo.”

Como ainda tenho algum juízo, assim que terminar de escrever esse texto vou sair para comer uma pizza de calabresa e tomar uma cervejinha. A semana foi pesada e eu nunca fui de ferro.


O que você acha? Queremos ouvir a sua opinião.

28/09/2009 - 17:52 - Atualizado em 28/09/2009 - 17:52
Fonte: Época - CRISTIANE SEGATTO
cristianes@edglobo.com.br

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Bulimia

Tal como a anoréctica a bulimica tem uma obsessão exagerada sobre o proprio corpo, esta preocupação excessiva "obriga" as bulimicas a concentrar toda a sua atenção nos alimentos, que por sua vez se transformam em "inimigos".
A concentração na comida exprime um sofrimento profundo que vem de longe e que nasce, muitas vezes, da falta de afecto, do medo das emoções e da propria vida.
Estas raparigas(e raramente rapazes) chegam a ser "escravas" da comida e em alguns casoso, a morrer por ela, é por isso que estas doenças são algo muito mais grave do que uma simples alteração dos hábitos alimentares.
A bulimia esta inserida numa categoria dos disturbios alimentares chamada purgação, a purgação consiste no vomito auto-induzido ou o uso inadequado de laxantes e diurécticos para eliminar os alimentos do organismo.
A bulimia nervosa é um disturbio alimentar grave que se caracteriza por episódios de ingestão compulsiva que consisitem em comer, num curto periodo de tempo, uma quantidade anormalmente grande de comida,com a sensação de perda de controlo. Nestes episodios as (os) doentes ingerem habitualmente comida que consideram "proibida" (como doces e hidratos de carbono). Estes doentes têm ainda comportamentos compensatórios como vomitar, usar laxantes, diuréticos ou outros medicamentos, fazer jejum e exercicio fisico excessivo.
Os episodios de ingestão compulsiva começam habitualmente durante ou depois de uma dieta restricta. Estes episodios originam reacções emocionais negativas que muitas precipitam os comportamentos de purga. As bulimicas quando têem os episodios de empanturramento e os comportamentos de purga sentem muita vergonha e culpabilidade. Habitualmente mantêem a sua doença em segredo (mesmo em relação aos seus familiares mais proximos) e procuram tardiamente ajuda especializada, tambem devido a manterem esses actos de purga em segredo, e ao facto de manterem o seu peso normal ou com pouca variação deste, essas pessoas conseguem esconder os seus problemas dos outros por anos...




Uma ou Várias Causas?


Existem muitas incertezas acerca das causas das doenças do comportamento alimentar. Estão identificados vários factores de risco, embora se desconheça quais as causas directas. Parece que os factores, que levam ao início destas doenças, são distintos daqueles que as mantém após se tornarem problemáticas. Tanto a anorexia como a bulimia nervosas podem ser desencadeadas por um regime alimentar rigoroso, mas as razões que conduzem ao seu desenvolvimento englobam não apenas o desejo de emagrecer.
A origem destas doenças resulta de uma complexa interacção entre os factores biológicos, psicológicos, familiares e sócio-culturais.

 Factores biológicos -está descrita uma predisposição genética para o desenvolvimento deste tipo de doenças, ou seja, haver algum familiar directo com o mesmo padrão de doença. Alguns estudos revelam que a predisposição genética para desenvolver obesidade poderá aumentar o risco de vir a ter bulimia nervosa.

 Factores Psicológicos – No caso dos doentes com bulimia nervosa, encontram-se comportamentos contraditórios. Se por um lado, controlam aquilo que consomem, usando para isso comportamentos compensatórios, por outro, tem crises de voracidade alimentar totalmente descontroladas. As doenças do comportamento alimentar podem também representar um modo de lidar com emoções difíceis. O tempo dispendido a pensar nos alimentos e na perda de peso, não permite lidar com outras emoções. Esta doença pode assim funcionar como uma barreira contra as dificuldades e pressões do dia-a-dia.

 Factores Familiares – Os factores de risco familiares podem estar relacionados com ambientes adversos, tias como a falta de coesão e contacto entre membros da família, expectativas excessivas, super protecção dos pais, rigidez e discordância familiar. A existência de familiares que façam, constantemente regimes alimentares pode levar ao despoletar deste tipo de doenças. Outras causas associadas podem ter a ver com alguns comentários críticos repetidos pela família acerca do peso, figura corporal e alimentação da mesma.

 Factores sócios – culturais – As influências sócio-culturais podem estar também implicadas nas doenças do comportamento alimentar, particularmente no início das mesmas. O corpo magro é encarado como símbolo de beleza, poder, auto-controlo, modernidade, sucesso e aceitação social. Os media não só incentivam esta ideia como também divulgam o modo de o obter. Em certos centros ocupacionais e recreativos faz-se pressão para a necessidade de magreza. Em algumas profissões e certos desportos, por exemplo, exigem indivíduos com figura magra, incentivando e sugerindo maneiras de obter esta figura desejada.

 Outros Factores – Situações como o inicio da puberdade, a mudança para uma nova escola, o inicio de um emprego, a morte de alguém próximo, o divórcio, o casamento, os problemas familiares, receber comentários críticos de alguém com importância para o próprio e os sentimentos de competição podem aumentar as expectativas depositadas numa pessoa. No entanto, esta pode não saber lidar com estas situações. O indivíduo, pelo desejo de controlar e resolver os problemas gerados no dia-a-dia, sob influências culturais que comparam o sucesso e a felicidade á magreza, começa a preocupar-se com a obtenção de um corpo perfeito, em vez de enfrentar as dificuldades.


Diagnóstico.

Pode-se estabelecer um diagnóstico de bulimia nervosa quando:

Existem episódios recorrentes á ingestão compulsiva de uma quantidade de alimentos muito superior á maioria das pessoas;

Ocorre(m) comportamento(s) compensatório(s) recorrente(s) para perder peso e prevenir o seu ganho, tais como vómito auto-induzido, abuso de laxantes, clisteres ou outros medicamentos, jejum prolongado e/ou exercício físico exagerado;

Os episódios de ingestão compulsiva, seguidos de manobras compensatórias de eliminação, ocorrem, pelo menos, 2 vezes por semana, durante, no mínimo, 3 meses;

Há preocupação persistente com a forma e peso corporais, que influencia decisivamente a Auto-estima, com sentimentos depressivos e perda de Auto-confiança sempre que ganham peso.

O episódio de ingestão compulsiva, primeiro critério, decorre a um ritmo acelerado e caótico. Não existe qualquer selecção de alimentos e, a partir de certa altura, desaparecem as sensações de prazer ou de obtenção de saciedade. É acompanhado de um sentimento de total falta de controlo, sem possibilidade de parar. Para facilitar a indução do vómito subsequente, a ingestão rápida e compulsiva de alimentos sólidos é acompanhada também pela ingestão de grandes quantidades de líquidos. O vómito é o comportamento compensatório, segundo critério, mais utilizado (80% a 90% das bulimicas que são submetidas a tratamento). Este processo exige, inicialmente, um grande esforço. O vómito é induzido graças á introdução dos dedos na garganta, mas nas fases avançadas da doença é conseguido quase espontaneamente pela simples flexão do tronco sobre o abdómen e compressão da musculatura abdominal. Os episódios de ingestão compulsiva são frequentes, terceiro critério, e podem prolongar-se no tempo, ou seja, começar por exemplo no restaurante e concluir-se em casa ou vice-versa. Se o impulso persistir em casa e a pessoa não encontrar mais nada para comer, pode dirigir-se a uma pastelaria e comer até 40 bolos de seguida. Os ataques sucedem com maior frequência á tarde ou á noite, geralmente nas horas em que se torna mais fácil passar despercebido. Em relação ao último critério, as bulímicas vivem com o medo de engordar, com a preocupação constante das suas formas corporais e o seu peso, que, ao contrário das anorécticas, se mantém dentro dos limites da normalidade.


Dois Subgrupos

Em termos de comportamento, existem diferenças marcadas entre os indivíduos com anorexia e com bulimia nervosas, podendo-se identificar dois subgrupos em cada uma das doenças. No caso da bulimia nervosa, podemos identificar dois tipos de comportamento, que permitem a divisão em dois grupos: a bulimia do tipo purgativo e a do tipo não – purgativo. No primeiro grupo verifica-se a utilização de laxantes, diuréticos e de vómito auto-induzido. No segundo, a compensação ocorre apenas graças a uma actividade física exagerada e a períodos de jejum prolongados. A diferença entre os dois grupos estende-se ao plano psicológico: os doentes pertencentes ao primeiro grupo são mais ansiosos em relação aos alimentos e apresentam alterações de personalidade, aproximando-se das anorécticas do tipo bulímico. Para que se possa falar de bulimia nervosa, a ingestão compulsiva deve ocorrer pelo menos 2 vezes por semana, podendo atingir a frequência de 2-3 vezes por dia. Nos casos mais graves, chega-se a perder a conta destes episódios. Os doentes com bulimia nervosa de tipo purgativo, tal como as anorécticas de tipo bulímico, possuem uma menor Auto-estima e uma maior incidência de perturbações de humor.

Consequências.

O número de complicações físicas observado em doentes com bulimia nervosa parece ser relativamente menor aos doentes com anorexia nervosa. No entanto, esta doença acarreta graves problemas de saúde, alguns dos quais podem estar mesmo a levar á morte Alguns riscos desta doença são:

• Cerebrais e psicológicos: -Ansiedade;
-Vergonha;
-Baixa auto-estima;
-Depressão.
• Cabelo: - enfraquecimento e queda de cabelo.
• Cardiovasculares: -Batimentos cardíacos irregulares (arritmias cardíacas);
-Pressão arterial baixa (hipotensão);
-Paragem cardíaca.
• Sanguíneos: -Anemia.
• Fluidos corporais: -Desidratação;
-Inchaço das extremidades por retenção de líquidos;
-Níveis baixos de sódio, potássio e magnésio.
• Musculares e articulares: -Fadiga e perda de energia;
-Fraqueza muscular;
-Escoriações nas mãos e nas articulações.
• Renais
• Hepáticos
• Dentários: -Sensibilidade e temperaturas extremas;
-Perda do esmalte dentário/aumento das cáries.
• Gastrointestinais: -Bochechas inchadas;
-Irritação crónica da garganta;
-Irritação e ruptura do esófago;
-Sangue no vómito;
-Dilatação e ruptura gástrica;
-Úlceras;
-Alteração do mecanismo de saciedade;
-Alteração do funcionamento gástrico e intestinal;
-Obstipação/Diarreia.
• Hormonais: -Aumento das glândulas salivares;
-Menstruação irregular.
• Outros: -Tonturas e dores de cabeça;
-Falta de ar;
-Dores no peito;
-Morte…


Tratamento

As doenças do comportamento alimentar são multideterminadas. Factores biológicos, sócio-culturais, individuais e familiares contribuem para o seu desenvolvimento, de diferentes formas, em indivíduos diferentes.
O tratamento destas doenças é complexo, moroso e especializado, reconhecidamente difícil, em que a eficácia da terapia depende da existência de condições adequadas e de uma equipa multidisciplinar que funcione de forma a lidar, eficazmente, com os aspectos psicológicos, psiquiátricos, médicos e sociais destas doenças.
Tanto na anorexia como na bulimia nervosas, o primeiro passo do tratamento a dar é o mais difícil. Antes de tudo é preciso que o individuo admita e assuma que tem um problema. Logo a seguir, e não menos complicado, terá de assumir a doença operante os outros e pedir ajuda.
O problema é demasiado grave para ser mantido em segredo e necessita de ajuda especializada. Os indivíduos com doenças de comportamento alimentar geralmente não estão habituados a partilhar os sentimentos, sobretudo com a terapeuta. Têm demasiada vergonha em revelar o que estão a fazer. De um modo geral, uma bulímica que procura tratamento está mais motivada para a mudança que uma anoréctica.
No doente bulímico, o medo de engordar é o sintoma chave da doença. Por outro lado, espera que a cura seja rápida e radical e , sendo impulsivo, não suporta a ideia de que a supressão das crises bulimicas seja lenta e sujeita a recaídas.
O primeiro objectivo no tratamento é acabar com o ciclo de ingestão compulsiva, seguida de manobras de compensação. Por isso, é necessário que seja aceite o estabelecimento de um padrão alimentar regular e disciplinado.
A bulímica também vai precisar de reaprender a conviver com os outros durante as refeições, entrar em supermercados, fazer compras, ir a festas, participar nos almoços com a família, enfim voltar a lidar com o lado social da alimentação.
O tratamento das doenças do foro alimentar processa-se numa longa e intensa interacção entre o doente e os profissionais de saúde, assim é fundamental que seja discutido com a paciente uma terapia onde os objectivos sejam clarificados e as etapas bem definidas.
As decisões relativas ao tratamento, em cada etapa são tomadas de acordo com alguns critérios fundamentais:
1. Idade;
2. Contexto de vida actual;
3. Duração e evolução da doença;
4. Sintomatologia actual;
5. Tratamentos anteriores;
6. Personalidade prévia (depressão, impulsividade, etc.)
7. Estado físico.
A cura de um doente bulímico passa por uma série de componentes essenciais á sua reabilitação:
• Alimentação/Aconselhamento nutricional;
• Medicação;
• Terapia de grupo;
• Terapia familiar;
• Terapia individual/cognitivo-comportamental.
• E grupos de apoio.



a seguir vamos ver alguns dos sintomas da bulimia:

Físicos

• Grandes oscilações no peso. No entanto, os doentes normalmente apresentam-se com um peso dentro da normalidade;
• Irregularidade menstrual;
• Garganta irritada e glândulas inchadas como consequência do vómito auto-induzido;
• Problemas dentários (diminuição do esmalte/aumento das cáries);
• O vómito é induzido, normalmente, através da colocação de dois dedos da mão na garganta, criando um calo debaixo do nó dos dedos pela repetição do contacto com os dentes do maxilar superior (Sinal de Russell);
• Dificuldade em dormir;
• Fraqueza e dor muscular;
• Fadiga.

Psicológicos

• Emotividade e depressão;
• Alterações de humor;
• Obsessão por dietas;
• Dificuldade de controlo. Estes doentes têm medo de não conseguir parar de comer voluntariamente;
• Auto-criticismo severo;
• Auto-estima determinada pelo peso;
• Pensamentos de auto-censura depois de comer (culpa/vergonha);
• Necessidade de aprovação dos outros.

Comportamentais

• Padrão alimentar caótico embora exista uma obsessão sobre o que deverá ingerir, a quantidade e o que constitui alimentos bons e maus;
• Comer ás escondidas;
• Indisposição depois das refeições;
• Jejum prolongado e frequente;
• Fuga a restaurantes, refeições planeadas e eventos sociais;
• Isolamento social;
• Comportamentos compensatórios (Vómitos, Laxantes e diuréticos);
• Exercício físico excessivo;
• Comportamentos aditivos (por ex.: Abuso de álcool e drogas…)

fonte:
Distúrbios Alimentares na Adolescência
Lisboa-
ComMedida - Associação de Apoio a Doentes do Comportamento Alimentar
email: commedida@gmail.com
contacto:+351 965493081



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A vida como uma viagem

 
 
A vida como uma vagem

Vamos, por breves instantes, comparar a nossa vida com uma viagem. Vamos supor que necessitamos chegar a um determinado ponto longínquo e desconhecido para nós. Certamente, a primeira coisa que faremos será pegar num mapa, assinalar a nossa meta e traçar o percurso que nos conduz do ponto onde estamos a esse determinado ponto que pretendemos alcançar.

Outros detalhes poderão igualmente ser importantes, tais como determinar o tempo que levaremos, as etapas da viagem, os pontos de paragem, os recursos necessários para lá chegar, etc. De igual forma, na nossa vida, precisamos em primeiro lugar de identificar as nossas metas e, de seguida, elaborar um plano detalhado para lá chegar.

Quando empreendemos uma viagem, pode acontecer que nos enganemos no caminho. Isso não será razão para desistirmos da viagem. Iremos certamente reformular a nossa direção ou procurar novos caminhos. De igual forma, na vida, podemos chegar à conclusão que as nossas decisões não foram as mais acertadas e que não nos estão a levar ao ponto que pretendemos. É importante essa tomada de consciência, para que possamos fazer alterações aos nossos planos, preparando abordagens mais adequadas. Desistir não é uma opção. Desde que mantenhamos o foco na nossa meta, com imaginação e criatividade conseguiremos sempre encontrar novos caminhos para lá chegar.

Quando viajamos, poderemos achar confortável seguir pelas estradas assinaladas nos mapas. Contudo, todos sabemos que são os caminhos menos conhecidos os que nos oferecem as paisagens mais deslumbrantes. Abrir-se ao desconhecido para explorar novos rumos, pode muito bem ser a chave para usufruir momentos inesquecíveis. Assim é também na vida. Muitas vezes, é necessário corrermos riscos e sairmos do padrão. Os desafios que superamos pela nossa própria iniciativa e inovação são sempre os mais gratificantes.

Por fim, sempre que chegar a uma encruzilhada e não souber que caminho tomar, tanto na viagem como na vida, permita-se entrar em contacto com a sua intuição. Centrando-se no seu interior, com o tempo, irá habituar-se a tomar os melhores caminhos e decisões.

Algumas perguntas de autorreflexão:
  • Que ações são necessárias para atingir os meus objetivos?
  • Em quantas etapas posso dividir o percurso até à minha meta?
  • Qual o prazo de tempo requerido para cada uma das etapas?
  • Que alterações posso fazer a cada momento para garantir que desfruto tanto do destino final como da viagem em si?
  • Como poderei tornar-me mais flexível e aberto à mudança?
  • O que posso fazer para ampliar a minha intuição?

Fonte:Harmoniza