quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os cinco maiores arrependimentos dos pacientes terminais



Recentemente foi publicado nos Estados Unidos um livro que tem tudo para se transformar em um best seller daqueles que ajudam muita gente a mudar sua forma de enxergar a vida. The top five regrets of the dying (algo como “Os cinco principais arrependimentos de pacientes terminais”) foi escrito por Bonnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da morte.
Para analisar a publicação, convidamos a Dra. Ana Cláudia Arantes – geriatra e especialista em cuidados paliativos do Einstein – que comentou, de acordo com a sua experiência no hospital, cada um dos arrependimentos levantados pela enfermeira americana. Confira abaixo.

1. Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim

“À medida que a pessoa se dá conta das limitações e da progressão da doença, esse sentimento provoca uma necessidade de rever os caminhos escolhidos para a sua vida, agora reavaliados com o filtro da consciência da morte mais próxima”, explica Dra. Ana Cláudia.
“É um sentimento muito frequente nessa fase. É como se, agora, pudessem entender que fizeram escolhas pelas outras pessoas e não por si mesmas. Na verdade, é uma atitude comum durante a vida. No geral, acabamos fazendo isso porque queremos ser amados e aceitos. O problema é quando deixamos de fazer as nossas próprias escolhas”, explica a médica.
“Muitas pessoas reclamam de que trabalharam a vida toda e que não viveram tudo o que gostariam de ter vivido, adiando para quando tiverem mais tempo depois de se aposentarem. Depois, quando envelhecem, reclamam que é quando chegam também as doenças e as dificuldades”, conta.

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto

“Não é uma sensação que acontece somente com os doentes. É um dilema da vida moderna. Todo mundo reclama disso”, diz a geriatra.
“Mas o mais grave é quando se trabalha em algo que não se gosta. Quando a pessoa ganha dinheiro, mas é infeliz no dia a dia, sacrifica o que não volta mais: o tempo”, afirma.
“Este sentimento fica mais grave no fim da vida porque as pessoas sentem que não têm mais esse tempo, por exemplo, pra pedir demissão e recomeçar”.

3. Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos

“Quando estão próximas da morte, as pessoas tendem a ficar mais verdadeiras. Caem as máscaras de medo e de vergonha e a vontade de agradar. O que importa, nesta fase, é a sinceridade”, conta.
“À medida que uma doença vai avançando, não é raro escutar que a pessoa fica mais carinhosa, mais doce. A doença tira a sombra da defesa, da proteção de si mesmo, da vingança. No fim, as pessoas percebem que essas coisas nem sempre foram necessárias”.
“A maior parte das pessoas não quer ser esquecida, quer ser lembrada por coisas boas. Nesses momentos finais querem dizer que amam, que gostam, querem pedir desculpas e, principalmente, querem sentir-se amadas. Quando se dão conta da falta de tempo, querem dizer coisas boas para as pessoas”, explica a médica.

4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos

“Nem sempre se tem histórias felizes com a própria família, mas com os amigos, sim. Os amigos são a família escolhida”, acredita a médica. “Ao lado dos amigos nós até vivemos fases difíceis, mas geralmente em uma relação de apoio”, explica.
“Não há nada de errado em ter uma família que não é legal. Quase todo mundo tem algum problema na família. Muitas vezes existe muita culpa nessa relação. Por isso, quando se tem pouco tempo de vida, muitas vezes o paciente quer preencher a cabeça e o tempo com coisas significativas e especiais, como os momentos com os amigos”.
“Dependendo da doença, existe grande mudança da aparência corporal. Muitos não querem receber visitas e demonstrar fraquezas e fragilidades. Nesse momento, precisam sentir que não vão ser julgados e essa sensação remete aos amigos”, afirma.

5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz

“Esse arrependimento é uma conseqüência das outras escolhas. É um resumo dos outros para alguém que abriu mão da própria felicidade”.
“Não é uma questão de ser egoísta, mas é importante para as pessoas ter um compromisso com a realização do que elas são e do que elas podem ser. Precisam descobrir do que são capazes, o seu papel no mundo e nas relações. A pessoa realizada se faz feliz e faz as pessoas que estão ao seu lado felizes também”, explica.
“A minha experiência mostra que esse arrependimento é muito mais dolorido entre as pessoas que tiveram chance de mudar alguma coisa. As pessoas que não tiveram tantos recursos disponíveis durante a vida e que precisaram lutar muito para viver, com pouca escolha, por exemplo, muitas vezes se desligam achando-se mais completas, mais em paz por terem realmente feito o melhor que podiam fazer. Para quem teve oportunidade de fazer diferente e não fez, geralmente é bem mais sofrido do ponto de vista existencial”, alerta.

Dica da especialista

“O que fica bastante claro quando vejo histórias como essas é que as pessoas devem refletir sobre suas escolhas enquanto têm vida e tempo para fazê-las”.
“Minha dica é a seguinte: se você pensa que, no futuro, pode se arrepender do que está fazendo agora, talvez não deva fazer. Faça o caminho que te entregue paz no fim. Para que no fim da vida, você possa dizer feliz: eu faria tudo de novo, exatamente do mesmo jeito”.
De acordo com Dra. Ana Cláudia, livros como este podem ajudar as pessoas a refletirem melhor sobre suas escolhas e o modo como se relacionam com o mundo e consigo mesmas, se permitindo viver de uma forma melhor. “Ele nos mostra que as coisas importantes para nós devem ser feitas enquanto temos tempo”, conclui a médica.
Publicado em janeiro/2012.

domingo, 28 de agosto de 2011

164 milhões de obesos nos EUA até 2030


Estados Unidos devem chegar a 2030 com 164 milhões de obesos, mostra estudo
O Globo (saude@oglobo.com.br)

RIO - Pesquisa publicada na revista Lancet, numa série sobre obesidade, analisa os números de americanos e britânicos que sofrem do problema, e seus impactos na prevalência de doenças e custos com saúde pública. Os resultados mostram que os Estados Unidos e o Reino Unido, que têm as maiores taxas de obesidade entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), devem chegar ao ano de 2030 com 65 milhões e 11 milhões de adultos obesos a mais.

Há hoje 99 milhões de indivíduos obesos nos Estados Unidos e 15 milhões no Reino Unido. A prevalência difere de acordo com o sexo e o grupo étnico. Nos EUA, cerca de um quarto de todos os homens são obesos (independentemente da etnia). Quase metade das americanas negras (46%) sofrem do problema, comparadas com um terço das hispânicas e 30% das brancas.

Já no Reino Unido, a proporção de homens brancos obesos (19%) é só um pouco maior que a de homens negros (17%), e muito maior que a de asiáticos (11%). Um terço das mulheres negras britânicas são obesas, comparadas com uma em cinco mulheres brancas e uma em seis asiáticas.

Os autores elaboraram muitos cenários em seus modelos de análise. No primeiro, usaram dados americanos de 1988 a 2008 e britânicos de 1993 a 2008, para construir tendências históricas. A continuação da tendência até 2030 mostraria um cenário onde a prevalência da obesidade nos EUA cresceria de 32%, em 2008, para 50%, em 2030, entre os homens, e de 35% para entre 45% e 52%, entre as mulheres.

No Reino Unido, a prevalência de obesidade entre os homens cresceria de 26% para entre 41% e 48%. Entre as mulheres, passaria de 26% para entre 35% e 43%. Isso significaria uma estimativa de 65 milhões de adultos a mais nos EUA em 2030 - com o total de obesos somando 164 milhões -, enquanto que no país europeu haveria mais 11 milhões de adultos obesos - dando um total de 26 milhões de pessoas com o problema.

Essa realidade elevaria os custos do tratamento de doenças relacionadas com a obesidade para US$ 66 bilhões por ano nos EUA em 2030 (um aumento de 2,6% nos gastos totais com saúde). No Reino Unido, o aumento seria de 2 bilhões de libras por ano, fazendo os custos gerais com saúde subirem 2%.

Nos EUA, os gastos especificamente com causas relacionadas à obesidade aumentaria de 13% para 16% ao ano, com um quarto devido ao envelhecimento da população. No Reino Unido, os gastos com doenças relacionadas com a obesidade cresceriam mais rapidamente devido a sua população mais velha (a idade média dos homens nos Estados Unidos é de 36 anos e de 38 no Reino Unido). Assim, no Reino Unido os gastos de saúde com obesidade passariam para 25% ao ano, com 10% devido apenas ao envelhecimento.

O cenário acima significaria 7,8 milhões de casos extra de diabetes nos EUA em 2030, 6,8 milhões de casos de doença do coração e acidente vascular cerebral, e 539 mil novos casos de câncer. No Reino Unido, isso representaria 668 mil casos a mais de diabetes, 461 mil de doença coronariana e 130 mil de câncer.

Os autores, das universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e de Oxford, no Reino Unido, dizem que os muitos problemas de saúde crônicos e agudos associados ao excesso de peso é um fardo para uma sociedade - não apenas por afetar negativamente a qualidade de vida no que diz respeito à saúde, mas também por representar custos para os indivíduos afetados e para a sociedade como um todo, principalmente com os gastos da saúde pública, mas também pela queda da produtividade.

Plantão | Publicada em 26/08/2011 às 10h53m
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/

sábado, 27 de agosto de 2011

IMC

O índice de massa corporal (IMC) é a divisão do peso, em quilos, pelo quadrado da altura. O resultado mostra se você está ou não no peso ideal

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Obesidade/comportamento:

Peritos contra a exibição das pessoas como espetáculo e exercício físico como praxe

A Plataforma Contra a Obesidade manifesta-se contra práticas de exercício físico baseadas na intensidade do esforço ou que se assemelhem a praxes e rejeita a exibição das pessoas obesas como espetáculo.

Num texto sobre Boas Práticas de Perda de Peso, para divulgação pública, o Conselho Científico da Plataforma lembra ainda que os objetivos de redução de peso devem ser realistas – nos primeiros seis meses, o objetivo deve ser de 500 gramas a um quilo por semana.

Numa altura em que a SIC exibe o programa “Peso Pesado”, mas sem nunca se referir ou estabelecer qualquer ligação com ele, a Plataforma mostra-se contra a exibição da obesidade como forma de espetáculo.

“A exibição da obesidade severa, tal como no passado se fazia no circo ou nas feiras, faz das pessoas em causa vítimas do espetáculo e acentua o estigma que a sua aptidão física determina e que deve ser combatido”, refere o texto, a que a agência Lusa teve acesso.

Mesmo considerando que o gasto de energia através do exercício é importante para a perda de peso, os especialistas lembram que tem de haver um doseamento individual para garantir “um acesso fácil, suportável e sustentável”.

“São desaconselhadas práticas predominantemente baseadas na intensidade do esforço e na procura de superação, nomeadamente em pessoas com fragilidades musculares e articulares”, adianta o Conselho Científico da Plataforma.

Os peritos vincam também que os “procedimentos de natureza espetacular que mais se assemelham a praxes” podem não ser seguros e comprometer a auto-motivação, limitando o desenvolvimento de prazer associado à prática de atividade física no futuro.

Quanto à terapia alimentar, deve ser pensada a longo prazo e nunca com duração inferior a seis meses, com objetivos realistas para a perda de peso.

A Plataforma afirma ainda que a obesidade grave pode estar associada a dificuldades psicossociais, mostrando-se contra a exposição individual do sofrimento psicológico

“Essa exposição pode acentuar, mais tarde, e fora de certos ambientes aparentemente mais protetores, ainda que não o sendo na realidade, sentimentos de embaraço e de perda de autoestima e cimentar a ideia de que a pessoa com obesidade é portadora de problemas emocionais e comportamentos descontrolados”, conclui o texto sobre as boas práticas para perder peso.

A doença tem de ser travada, dizem os peritos, mas recordando que o combate é contra a obesidade e não contra a pessoa com obesidade.

Em Portugal há cerca de três milhões de adultos com peso excessivo, incluindo cerca de 400 mil com obesidade. Destes, 36 mil terão obesidade mórbida.

13 de julho de 2011
Fonte: Lusa

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Transtornos de Personalidade

Pai, mãe, filhos, primos, amigos, conhecidos, conhecidos de conhecidos....

Transtornos de Personalidade
Era uma pessoa com um comportamento dito “normal”, até àquele dia. Os amigos não conseguem ainda acreditar como ele foi capaz de agredir alguém. Logo ele que era tão pacato, tão calmo … tão emocionalmente controlado, por vezes frio.

Essa frieza que o fez espancar um amigo quase até à morte por causas mesquinhas e fúteis, é agora motivo de apreensão. Contudo, por detrás destas mudanças comportamentais, aparentemente abruptas e inexplicáveis, existem muitas vezes transtornos de personalidade, que foram crescendo e minando internamente o sujeito, sem que ninguém desse por isso.

O que é a personalidade ?
A personalidade é definida pelo tipo de emoções e comportamentos que um indivíduo manifesta. O comportamento final de uma pessoa é, assim, resultado de todos os seus traços de personalidade e o que diferencia a normalidade da patologia é a frequência e a intensidade de cada traço.

Os transtornos de personalidade afetam o modo como o sujeito vê o mundo, como expressa as emoções e o comportamento social. Caracterizam um estilo de vida mal adaptado, inflexível e prejudicial quer a si próprio quer aos outros que com ele convivem.

Usualmente aparecem no início da idade adulta e, quando não são tratados, tornam-se crónicos. Poderíamos facilmente confundir manifestações comportamentais próprias da adolescência, com sinais de patologia. Então, ainda que os primeiros sinais de distúrbio surjam mais cedo, convencionou-se que o diagnóstico final apenas é feito na idade adulta.

Existem 9 tipos de personalidade…

Personalidade borderline (limite) - a instabilidade das emoções é o traço mais marcante deste transtorno. O seu comportamento impulsivo é frequentemente auto-destrutivo. Pessoas com este tipo de personalidade, tendem a não possuir um projeto de vida, ou uma escala de valores duradoura.

Personalidade anti-social - caracteriza-se pelo padrão social de comportamento irresponsável, explorador e insensível, assim como ausência de culpabilidade. Não têm capacidade para se ajustarem às leis vigentes, o que os leva a terem problemas legais e criminais. São pessoas que tendem a manipular os outros em proveito próprio e estabelecem relacionamentos com facilidade (principalmente quando é do seu interesse), mas dificilmente são capazes de mantê-los.

Personalidade esquizóide – há, sobretudo, dificuldade em estabelecer relações pessoais ou de expressar as emoções. A indiferença é o aspecto básico, assim como o isolamento e o distanciamento sociais. Aquilo que na maioria das vezes desperta prazer às pessoas, não lhes diz nada (como por exemplo, o sucesso no trabalho, no estudo ou uma conquista afetiva). Não se perturbam com elogios ou críticas.

Personalidade Paranoide - caracteriza-se pela tendência para a desconfiança em relação a tudo e a todos. Acreditam que estão sempre a ser explorados ou enganados, mesmo que não encontrem motivos razoáveis para isso. A expressão das emoções é muito pobre e controlada, o que os leva a serem encarados como pessoas frias. A hostilidade, irritabilidade e ansiedade são sentimentos frequentes entre os paranóides. Dificilmente se riem de si próprios, ou de seus defeitos, e ficam bastante ofendidos quando lhe apontam algum.

Personalidade dependente – as pessoas com este tipo de personalidade precisam de outras para se apoiarem emocionalmente. Sentem-se completamente desamparadas quando estão sozinhas. Permitem que os outros tomem decisões importantes a respeito de si mesmas. Resignam-se e submetem-se com facilidade, chegando mesmo a tolerar maus tratos.

Personalidade ansiosa - o padrão de comportamento é inibido e ansioso. Possuem uma baixa auto-estima. São pessoas muito sensíveis a críticas e rejeições, apreensivas e desconfiadas, têm por isso mesmo grandes dificuldades em manter relações sociais.

Personalidade histriónica – há uma grande tendência para a dramatização. Este tipo de pessoas vivem como se desempenhassem um papel, sendo a vida um enorme palco. São eternos "carentes afetivos", com comportamentos sedutores e, ao mesmo tempo manipuladores, exibicionistas, fúteis. Facilmente mudam de atitude e de emoções, deixando os outros perplexos. Tudo é levado ao exagero, desde as calorosas recepções a pessoas que acabaram de conhecer, até aos acessos de raiva e choro convulsivo, que ocorrem em situações de pouca importância.

Personalidade obsessiva - tendência ao perfeccionismo, para o rigor e disciplina, quer consigo, quer com os outros. Emocionalmente são pessoas frias e formais. Tendem a optar pelo trabalho em detrimento da família ou amigos e, quando estão com estes, costumam assumir um comportamento reservado, dominador e inflexível.

Personalidade narcísica - Os indivíduos com este transtorno têm um sentimento grandioso de sua própria importância. Habitualmente são presunçosos ou arrogantes. Nas suas atitudes está subjacente uma desvalorização dos outros, associada à apreciação exagerada de suas próprias realizações. Um indivíduo com este transtorno da personalidade acredita que é superior, especial ou único e espera que os outros o reconheçam como tal.


Causas e consequências

As causas destes transtornos geralmente são múltiplas e intimamente relacionadas com as vivências da infância e adolescência. Habitualmente o próprio sujeito não se mostra muito incomodado, até porque não possui a clara noção do impacto que o seu transtorno tem no meio social envolvente. São então os amigos e familiares que insistem para que procure uma ajuda.

Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica.