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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Os alimentos e as emoções

Comer nunca se limitou nem se há-de limitar simplesmente à satisfação da sensação física de fome. Nós comemos não apenas para “calar” o estômago, mas também para satisfazer o apetite e lidar com as nossas emoções.

A partir do momento em que um dos pais oferece o primeiro biscoito ou doce para confortar ou sossegar a criança, os alimentos deixam de ter apenas o seu efeito nutritivo, mas também ganham um sentido emotivo. Desde cedo que os alimentos são usados para celebrar, acalmar ou aliviar de um aborrecimento ou depressão e confortar em momentos de tristeza ou stress emocional. Este comportamento face aos alimentos, é muito comum. Aceitar um pedaço de um bolo de aniversário, porque seria anti-social recusar, dar a nós próprios um pouco de chocolate ou alguns biscoitos após terminar um trabalho difícil ou beber um copo de vinho ou cerveja socialmente, são algumas das normas da vida quotidiana.

O problema chega quando o hábito de comer, de forma emotiva, deixa de ser um consumo saudável e resulta num ganho de peso incontrolável.

Reconhece-se actualmente de que para solucionar o problema de peso da grande maioria dos indivíduos não basta fazer uma dieta de 1500 calorias por dia e fazer um plano de exercícios; muitos especialistas introduzem assim técnicas de modificação comportamental, como abordagem para reduzir e manter o peso corporal equilibrado.

Perceber que comemos movidos por emoções é o primeiro passo para se dar a volta ao problema. As questões e sugestões seguintes poderão ajudá-lo a encontrar soluções para o aumento de peso, provocado por esta forma de comer.

P. Come quando tem fome?
Crie um diário alimentar onde anote o que come, quanto come e quando come e as emoções, ou situações, que desencadearam a vontade de comer. Tomar consciência das motivações pode ajudar a enfrentar a situação. Se está triste com alguma coisa, descubra o porquê e tente resolver. Se está triste, sente-se, escreva porque é que está triste e verifique se não consegue sentir-se melhor sem recorrer à comida.

P. Suspira por algum alimento?
Quando tiver esse desejo novamente, tome consciência do que está a acontecer e tenha a certeza de que consegue resistir, se deixar passar um tempo. Faça uma lista de actividades que o divirtam e captem a sua atenção, pois ajudarão a passar esse momento. Telefone a alguém, caminhe, tome um banho ou beba uma bebida quente.

P. Come porque está deprimido e pensa que nunca poderá ter a imagem perfeita, divulgada pelos media?
Modifique as suas metas e comece a comer bem e a fazer exercício regularmente, não para ser um modelo, mas para estar em forma, emagrecer e sentir-se bem consigo própria.

Combinando umas noções simples e claras sobre nutrição e conselhos de exercício práticos eficazes é, para muitos, apenas metade da solução quando tentam ter uma perda de peso permanente. Compreender as razões da sobrealimentação, fazer frente a esta e encontrar estratégias práticas para mudar este comportamento contribuirá para perder os quilos que tinha fixado como objectivo.

Fonte: Eufic

domingo, 3 de janeiro de 2010

Como melhorar a sua vida e ser feliz

Ginástica emocional
Gerir emoções nem sempre é fácil. Consiga-o com a ajuda destes exercícios.

Grita à mínima contrariedade? Entra num pranto por qualquer motivo? Bloqueia perante o primeiro problema?

Se as suas respostas forem afirmativas, quer dizer que tem dificuldade em gerir as suas emoções. Mas esta situação tem solução. Para saber qual é, pratique estes seis exercícios, imprescindíveis para conduzir os seus sentimentos com inteligência e os seus conhecimentos com sensatez.

Até há alguns anos, a inteligência só estava relacionada com um coeficiente intelectual elevado. Mas de que é que lhe serve ser um génio da matemática ou da física se não sabe aplicar estes conhecimentos a uma causa social nem comunicar de forma adequada?

Hoje sabe-se que existem vários tipos de inteligência, e uma delas é a inteligência emocional, um termo criado por dois psicólogos da Universidade de Yale (Estados Unidos da América), Peter Salovey e John Mayer, e difundida mundialmente pelo psicólogo, filósofo e jornalista Daniel Goleman. É a capacidade de sentir, entender, controlar e modificar os estados anímicos e de os usar em seu benefício. É a capacidade de ajustar a sua expressão emocional de forma a melhorar situações, sem manipular nem reprimir sentimentos.

Afinal de contas, o que é a inteligência emocional?

Muitas vezes temos a impressão de que os sentimentos são o nosso aspecto mais incontrolável. Mas, na verdade, não há motivos para que assim seja. A inteligência emocional é a capacidade de manipular as emoções de forma a mantermos o equilíbrio psíquico, de nos desenvolvermos em sociedade e, assim, sermos mais felizes.

Ao longo da História, o homem tem recebido pistas para se tornar capaz de analisar as suas emoções e optar pelo caminho certo. E, desta forma, obter grandes benefícios para si mesmo e para os outros.

O medo, a alegria, a raiva, a tristeza, a culpa... são emoções básicas mas, dependendo da pressão que exercem sobre si, podem ser-lhe úteis ou prejudiciais. Só que isso de nada serve se não a pusermos em prática.

Passe à acção!

Tenha em conta que toda a gente tem inteligência emocional. Incluindo você. Mas é preciso exercitá-la!

E já está na hora de passar das palavras à acção e de se desenvolver plenamente como pessoa, aproveitando ao máximo todo o potencial deste tipo de inteligência.

Para o ajudar a exercitar a sua inteligência emocional, siga os seguintes passos.

Pronto para começar?

Vai precisar de um caderno e de um lápis para pensar e tomar nota. Escolha uma situação da sua vida que lhe provoque mau humor e siga as instruções passo-a-passo. Depois, reflicta!

A situação: Descreva o problema.

Escreva uma característica da sua personalidade que lhe desagrade. Só uma de cada vez, não se distraia com todas as situações incómodas da sua vida quotidiana. Aponte-a da forma mais objectiva que conseguir e lembre-se. Só uma característica concreta!

Exemplo: «Quero dizer ao meu companheiro que as nossas relações sexuais não me dão prazer».

Os erros: Pensamentos negativos exagerados, preconceitos...

São distorções na forma de ver as coisas. De acordo com o psicólogo clínico Fernando Lima Magalhães, os erros mais frequentes costumam ser «concentrar--se nas coisas negativas, a catastrofização (pensar só na pior hipótese), a adivinhação (prever o futuro), a leitura mental (adivinhar o que as outras pessoas pensam), rotular, generalizar, dramatizar e achar-se responsável por tudo e por nada».

Exemplo: Está a generalizar e a dramatizar, se tende a antecipar o que ele vai pensar ou como vai reagir.

As primeiras emoções: O que sinto quando me deparo com esta situação.

Identifique as emoções e sentimentos que essa situação lhe causam. Trata-se da primeira coisa que sente, a primeira coisa em que pensa perante esta situação, nomeadamente raiva, inveja, tristeza, angústia...

Exemplo: «Sinto medo, insegurança, culpa» (frases generalistas como, por exemplo, «sinto-me mal» não contam).

Os novos pensamentos: Reformule e procure o lado realista, útil e funcional.

Chegou o momento de modificar as distorções e de as trocar por pensamentos mais adaptados à situação, mais objectivos, mais justos e realistas.

Exemplo: Perante o pensamento anterior pode pensar «vou preparar bem o que quero dizer para não parecer agressiva».

Os primeiros pensamentos: O que penso quando tenho estes sentimentos.

Existem pensamentos que deram origem a essas emoções. Tem de identificá-los e escrevê-los tal e qual como lhe passam na mente, mesmo que incluam palavrões. Poderão ajudá-lo perguntas como «Porque sinto...?», «Em que é que pensei para sentir...?»

Exemplo: «Porque é que tenho medo? Porque ele(a) vai aborrecer-se e vamos discutir».

As novas emoções: Voltar a ter sentimentos equilibrados.

Depois de todo o caminho percorrido, já pode perguntar a si mesmo. Como é que me sinto agora, perante a mesma situação, e com os novos pensamentos? De certeza que se vai sentir muito melhor.

Exemplo: O novo pensamento «vou preparar-me bem...» vai reconfortá-lo e aliviá-lo.

Texto: Madalena Alçada Baptista
Revisão científica: Dr. Fernando Lima Magalhães (psicólogo no Centro Clínico e Educacional da Boavista,
no Porto)

A responsabilidade editorial e científica desta informação é da revista Prevenir

Fonte: Sapo Saude