A ComMedida é uma associação portuguesa que visa prevenir e apoiar pessoas com perturbações do comportamento alimentar.

O Site da ComMedida já esta disponível, passe por lá!!!
http://www.commedida.pt/

Para obter informações adicionais, poderá contactar: commedida@gmail.com
+351 93 526 8501

Quinta-feira, 1 de Março de 2012

Abril 2012 - Novos Grupos em Lisboa!

Estamos a aceitar inscrições para os novos grupos de Lisboa - (Av. Almirante Reis)
Início dia 4 de Abril


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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Os cinco maiores arrependimentos dos pacientes terminais



Recentemente foi publicado nos Estados Unidos um livro que tem tudo para se transformar em um best seller daqueles que ajudam muita gente a mudar sua forma de enxergar a vida. The top five regrets of the dying (algo como “Os cinco principais arrependimentos de pacientes terminais”) foi escrito por Bonnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da morte.
Para analisar a publicação, convidamos a Dra. Ana Cláudia Arantes – geriatra e especialista em cuidados paliativos do Einstein – que comentou, de acordo com a sua experiência no hospital, cada um dos arrependimentos levantados pela enfermeira americana. Confira abaixo.

1. Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim

“À medida que a pessoa se dá conta das limitações e da progressão da doença, esse sentimento provoca uma necessidade de rever os caminhos escolhidos para a sua vida, agora reavaliados com o filtro da consciência da morte mais próxima”, explica Dra. Ana Cláudia.
“É um sentimento muito frequente nessa fase. É como se, agora, pudessem entender que fizeram escolhas pelas outras pessoas e não por si mesmas. Na verdade, é uma atitude comum durante a vida. No geral, acabamos fazendo isso porque queremos ser amados e aceitos. O problema é quando deixamos de fazer as nossas próprias escolhas”, explica a médica.
“Muitas pessoas reclamam de que trabalharam a vida toda e que não viveram tudo o que gostariam de ter vivido, adiando para quando tiverem mais tempo depois de se aposentarem. Depois, quando envelhecem, reclamam que é quando chegam também as doenças e as dificuldades”, conta.

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto

“Não é uma sensação que acontece somente com os doentes. É um dilema da vida moderna. Todo mundo reclama disso”, diz a geriatra.
“Mas o mais grave é quando se trabalha em algo que não se gosta. Quando a pessoa ganha dinheiro, mas é infeliz no dia a dia, sacrifica o que não volta mais: o tempo”, afirma.
“Este sentimento fica mais grave no fim da vida porque as pessoas sentem que não têm mais esse tempo, por exemplo, pra pedir demissão e recomeçar”.

3. Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos

“Quando estão próximas da morte, as pessoas tendem a ficar mais verdadeiras. Caem as máscaras de medo e de vergonha e a vontade de agradar. O que importa, nesta fase, é a sinceridade”, conta.
“À medida que uma doença vai avançando, não é raro escutar que a pessoa fica mais carinhosa, mais doce. A doença tira a sombra da defesa, da proteção de si mesmo, da vingança. No fim, as pessoas percebem que essas coisas nem sempre foram necessárias”.
“A maior parte das pessoas não quer ser esquecida, quer ser lembrada por coisas boas. Nesses momentos finais querem dizer que amam, que gostam, querem pedir desculpas e, principalmente, querem sentir-se amadas. Quando se dão conta da falta de tempo, querem dizer coisas boas para as pessoas”, explica a médica.

4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos

“Nem sempre se tem histórias felizes com a própria família, mas com os amigos, sim. Os amigos são a família escolhida”, acredita a médica. “Ao lado dos amigos nós até vivemos fases difíceis, mas geralmente em uma relação de apoio”, explica.
“Não há nada de errado em ter uma família que não é legal. Quase todo mundo tem algum problema na família. Muitas vezes existe muita culpa nessa relação. Por isso, quando se tem pouco tempo de vida, muitas vezes o paciente quer preencher a cabeça e o tempo com coisas significativas e especiais, como os momentos com os amigos”.
“Dependendo da doença, existe grande mudança da aparência corporal. Muitos não querem receber visitas e demonstrar fraquezas e fragilidades. Nesse momento, precisam sentir que não vão ser julgados e essa sensação remete aos amigos”, afirma.

5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz

“Esse arrependimento é uma conseqüência das outras escolhas. É um resumo dos outros para alguém que abriu mão da própria felicidade”.
“Não é uma questão de ser egoísta, mas é importante para as pessoas ter um compromisso com a realização do que elas são e do que elas podem ser. Precisam descobrir do que são capazes, o seu papel no mundo e nas relações. A pessoa realizada se faz feliz e faz as pessoas que estão ao seu lado felizes também”, explica.
“A minha experiência mostra que esse arrependimento é muito mais dolorido entre as pessoas que tiveram chance de mudar alguma coisa. As pessoas que não tiveram tantos recursos disponíveis durante a vida e que precisaram lutar muito para viver, com pouca escolha, por exemplo, muitas vezes se desligam achando-se mais completas, mais em paz por terem realmente feito o melhor que podiam fazer. Para quem teve oportunidade de fazer diferente e não fez, geralmente é bem mais sofrido do ponto de vista existencial”, alerta.

Dica da especialista

“O que fica bastante claro quando vejo histórias como essas é que as pessoas devem refletir sobre suas escolhas enquanto têm vida e tempo para fazê-las”.
“Minha dica é a seguinte: se você pensa que, no futuro, pode se arrepender do que está fazendo agora, talvez não deva fazer. Faça o caminho que te entregue paz no fim. Para que no fim da vida, você possa dizer feliz: eu faria tudo de novo, exatamente do mesmo jeito”.
De acordo com Dra. Ana Cláudia, livros como este podem ajudar as pessoas a refletirem melhor sobre suas escolhas e o modo como se relacionam com o mundo e consigo mesmas, se permitindo viver de uma forma melhor. “Ele nos mostra que as coisas importantes para nós devem ser feitas enquanto temos tempo”, conclui a médica.
Publicado em janeiro/2012.

Domingo, 28 de Agosto de 2011

164 milhões de obesos nos EUA até 2030


Estados Unidos devem chegar a 2030 com 164 milhões de obesos, mostra estudo
O Globo (saude@oglobo.com.br)

RIO - Pesquisa publicada na revista Lancet, numa série sobre obesidade, analisa os números de americanos e britânicos que sofrem do problema, e seus impactos na prevalência de doenças e custos com saúde pública. Os resultados mostram que os Estados Unidos e o Reino Unido, que têm as maiores taxas de obesidade entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), devem chegar ao ano de 2030 com 65 milhões e 11 milhões de adultos obesos a mais.

Há hoje 99 milhões de indivíduos obesos nos Estados Unidos e 15 milhões no Reino Unido. A prevalência difere de acordo com o sexo e o grupo étnico. Nos EUA, cerca de um quarto de todos os homens são obesos (independentemente da etnia). Quase metade das americanas negras (46%) sofrem do problema, comparadas com um terço das hispânicas e 30% das brancas.

Já no Reino Unido, a proporção de homens brancos obesos (19%) é só um pouco maior que a de homens negros (17%), e muito maior que a de asiáticos (11%). Um terço das mulheres negras britânicas são obesas, comparadas com uma em cinco mulheres brancas e uma em seis asiáticas.

Os autores elaboraram muitos cenários em seus modelos de análise. No primeiro, usaram dados americanos de 1988 a 2008 e britânicos de 1993 a 2008, para construir tendências históricas. A continuação da tendência até 2030 mostraria um cenário onde a prevalência da obesidade nos EUA cresceria de 32%, em 2008, para 50%, em 2030, entre os homens, e de 35% para entre 45% e 52%, entre as mulheres.

No Reino Unido, a prevalência de obesidade entre os homens cresceria de 26% para entre 41% e 48%. Entre as mulheres, passaria de 26% para entre 35% e 43%. Isso significaria uma estimativa de 65 milhões de adultos a mais nos EUA em 2030 - com o total de obesos somando 164 milhões -, enquanto que no país europeu haveria mais 11 milhões de adultos obesos - dando um total de 26 milhões de pessoas com o problema.

Essa realidade elevaria os custos do tratamento de doenças relacionadas com a obesidade para US$ 66 bilhões por ano nos EUA em 2030 (um aumento de 2,6% nos gastos totais com saúde). No Reino Unido, o aumento seria de 2 bilhões de libras por ano, fazendo os custos gerais com saúde subirem 2%.

Nos EUA, os gastos especificamente com causas relacionadas à obesidade aumentaria de 13% para 16% ao ano, com um quarto devido ao envelhecimento da população. No Reino Unido, os gastos com doenças relacionadas com a obesidade cresceriam mais rapidamente devido a sua população mais velha (a idade média dos homens nos Estados Unidos é de 36 anos e de 38 no Reino Unido). Assim, no Reino Unido os gastos de saúde com obesidade passariam para 25% ao ano, com 10% devido apenas ao envelhecimento.

O cenário acima significaria 7,8 milhões de casos extra de diabetes nos EUA em 2030, 6,8 milhões de casos de doença do coração e acidente vascular cerebral, e 539 mil novos casos de câncer. No Reino Unido, isso representaria 668 mil casos a mais de diabetes, 461 mil de doença coronariana e 130 mil de câncer.

Os autores, das universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e de Oxford, no Reino Unido, dizem que os muitos problemas de saúde crônicos e agudos associados ao excesso de peso é um fardo para uma sociedade - não apenas por afetar negativamente a qualidade de vida no que diz respeito à saúde, mas também por representar custos para os indivíduos afetados e para a sociedade como um todo, principalmente com os gastos da saúde pública, mas também pela queda da produtividade.

Plantão | Publicada em 26/08/2011 às 10h53m
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/

Sábado, 27 de Agosto de 2011

IMC

O índice de massa corporal (IMC) é a divisão do peso, em quilos, pelo quadrado da altura. O resultado mostra se você está ou não no peso ideal

Quarta-feira, 13 de Julho de 2011

Obesidade/comportamento:

Peritos contra a exibição das pessoas como espetáculo e exercício físico como praxe

A Plataforma Contra a Obesidade manifesta-se contra práticas de exercício físico baseadas na intensidade do esforço ou que se assemelhem a praxes e rejeita a exibição das pessoas obesas como espetáculo.

Num texto sobre Boas Práticas de Perda de Peso, para divulgação pública, o Conselho Científico da Plataforma lembra ainda que os objetivos de redução de peso devem ser realistas – nos primeiros seis meses, o objetivo deve ser de 500 gramas a um quilo por semana.

Numa altura em que a SIC exibe o programa “Peso Pesado”, mas sem nunca se referir ou estabelecer qualquer ligação com ele, a Plataforma mostra-se contra a exibição da obesidade como forma de espetáculo.

“A exibição da obesidade severa, tal como no passado se fazia no circo ou nas feiras, faz das pessoas em causa vítimas do espetáculo e acentua o estigma que a sua aptidão física determina e que deve ser combatido”, refere o texto, a que a agência Lusa teve acesso.

Mesmo considerando que o gasto de energia através do exercício é importante para a perda de peso, os especialistas lembram que tem de haver um doseamento individual para garantir “um acesso fácil, suportável e sustentável”.

“São desaconselhadas práticas predominantemente baseadas na intensidade do esforço e na procura de superação, nomeadamente em pessoas com fragilidades musculares e articulares”, adianta o Conselho Científico da Plataforma.

Os peritos vincam também que os “procedimentos de natureza espetacular que mais se assemelham a praxes” podem não ser seguros e comprometer a auto-motivação, limitando o desenvolvimento de prazer associado à prática de atividade física no futuro.

Quanto à terapia alimentar, deve ser pensada a longo prazo e nunca com duração inferior a seis meses, com objetivos realistas para a perda de peso.

A Plataforma afirma ainda que a obesidade grave pode estar associada a dificuldades psicossociais, mostrando-se contra a exposição individual do sofrimento psicológico

“Essa exposição pode acentuar, mais tarde, e fora de certos ambientes aparentemente mais protetores, ainda que não o sendo na realidade, sentimentos de embaraço e de perda de autoestima e cimentar a ideia de que a pessoa com obesidade é portadora de problemas emocionais e comportamentos descontrolados”, conclui o texto sobre as boas práticas para perder peso.

A doença tem de ser travada, dizem os peritos, mas recordando que o combate é contra a obesidade e não contra a pessoa com obesidade.

Em Portugal há cerca de três milhões de adultos com peso excessivo, incluindo cerca de 400 mil com obesidade. Destes, 36 mil terão obesidade mórbida.

13 de julho de 2011
Fonte: Lusa

Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

Transtornos de Personalidade

Pai, mãe, filhos, primos, amigos, conhecidos, conhecidos de conhecidos....

Transtornos de Personalidade
Era uma pessoa com um comportamento dito “normal”, até àquele dia. Os amigos não conseguem ainda acreditar como ele foi capaz de agredir alguém. Logo ele que era tão pacato, tão calmo … tão emocionalmente controlado, por vezes frio.

Essa frieza que o fez espancar um amigo quase até à morte por causas mesquinhas e fúteis, é agora motivo de apreensão. Contudo, por detrás destas mudanças comportamentais, aparentemente abruptas e inexplicáveis, existem muitas vezes transtornos de personalidade, que foram crescendo e minando internamente o sujeito, sem que ninguém desse por isso.

O que é a personalidade ?
A personalidade é definida pelo tipo de emoções e comportamentos que um indivíduo manifesta. O comportamento final de uma pessoa é, assim, resultado de todos os seus traços de personalidade e o que diferencia a normalidade da patologia é a frequência e a intensidade de cada traço.

Os transtornos de personalidade afetam o modo como o sujeito vê o mundo, como expressa as emoções e o comportamento social. Caracterizam um estilo de vida mal adaptado, inflexível e prejudicial quer a si próprio quer aos outros que com ele convivem.

Usualmente aparecem no início da idade adulta e, quando não são tratados, tornam-se crónicos. Poderíamos facilmente confundir manifestações comportamentais próprias da adolescência, com sinais de patologia. Então, ainda que os primeiros sinais de distúrbio surjam mais cedo, convencionou-se que o diagnóstico final apenas é feito na idade adulta.

Existem 9 tipos de personalidade…

Personalidade borderline (limite) - a instabilidade das emoções é o traço mais marcante deste transtorno. O seu comportamento impulsivo é frequentemente auto-destrutivo. Pessoas com este tipo de personalidade, tendem a não possuir um projeto de vida, ou uma escala de valores duradoura.

Personalidade anti-social - caracteriza-se pelo padrão social de comportamento irresponsável, explorador e insensível, assim como ausência de culpabilidade. Não têm capacidade para se ajustarem às leis vigentes, o que os leva a terem problemas legais e criminais. São pessoas que tendem a manipular os outros em proveito próprio e estabelecem relacionamentos com facilidade (principalmente quando é do seu interesse), mas dificilmente são capazes de mantê-los.

Personalidade esquizóide – há, sobretudo, dificuldade em estabelecer relações pessoais ou de expressar as emoções. A indiferença é o aspecto básico, assim como o isolamento e o distanciamento sociais. Aquilo que na maioria das vezes desperta prazer às pessoas, não lhes diz nada (como por exemplo, o sucesso no trabalho, no estudo ou uma conquista afetiva). Não se perturbam com elogios ou críticas.

Personalidade Paranoide - caracteriza-se pela tendência para a desconfiança em relação a tudo e a todos. Acreditam que estão sempre a ser explorados ou enganados, mesmo que não encontrem motivos razoáveis para isso. A expressão das emoções é muito pobre e controlada, o que os leva a serem encarados como pessoas frias. A hostilidade, irritabilidade e ansiedade são sentimentos frequentes entre os paranóides. Dificilmente se riem de si próprios, ou de seus defeitos, e ficam bastante ofendidos quando lhe apontam algum.

Personalidade dependente – as pessoas com este tipo de personalidade precisam de outras para se apoiarem emocionalmente. Sentem-se completamente desamparadas quando estão sozinhas. Permitem que os outros tomem decisões importantes a respeito de si mesmas. Resignam-se e submetem-se com facilidade, chegando mesmo a tolerar maus tratos.

Personalidade ansiosa - o padrão de comportamento é inibido e ansioso. Possuem uma baixa auto-estima. São pessoas muito sensíveis a críticas e rejeições, apreensivas e desconfiadas, têm por isso mesmo grandes dificuldades em manter relações sociais.

Personalidade histriónica – há uma grande tendência para a dramatização. Este tipo de pessoas vivem como se desempenhassem um papel, sendo a vida um enorme palco. São eternos "carentes afetivos", com comportamentos sedutores e, ao mesmo tempo manipuladores, exibicionistas, fúteis. Facilmente mudam de atitude e de emoções, deixando os outros perplexos. Tudo é levado ao exagero, desde as calorosas recepções a pessoas que acabaram de conhecer, até aos acessos de raiva e choro convulsivo, que ocorrem em situações de pouca importância.

Personalidade obsessiva - tendência ao perfeccionismo, para o rigor e disciplina, quer consigo, quer com os outros. Emocionalmente são pessoas frias e formais. Tendem a optar pelo trabalho em detrimento da família ou amigos e, quando estão com estes, costumam assumir um comportamento reservado, dominador e inflexível.

Personalidade narcísica - Os indivíduos com este transtorno têm um sentimento grandioso de sua própria importância. Habitualmente são presunçosos ou arrogantes. Nas suas atitudes está subjacente uma desvalorização dos outros, associada à apreciação exagerada de suas próprias realizações. Um indivíduo com este transtorno da personalidade acredita que é superior, especial ou único e espera que os outros o reconheçam como tal.


Causas e consequências

As causas destes transtornos geralmente são múltiplas e intimamente relacionadas com as vivências da infância e adolescência. Habitualmente o próprio sujeito não se mostra muito incomodado, até porque não possui a clara noção do impacto que o seu transtorno tem no meio social envolvente. São então os amigos e familiares que insistem para que procure uma ajuda.

Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica.

Domingo, 8 de Maio de 2011

A lipoaspiração é inútil?

Um estudo demonstra, pela primeira vez, que as gordurinhas removidas no procedimento reaparecem depois de um ano. E voltam mais perigosas

Depois de duas lipoaspirações, suas gordurinhas preencheram outras partes do corpo A secretária executiva Patrícia Simões é daquelas mulheres que nunca estão satisfeitas com seu corpo. Aos 18 anos, achando-se gorda após uma temporada juntando dólares nos Estados Unidos, resolveu investir as economias na mesa de cirurgia. Fez lipoaspiração no abdome, na cintura, nas costas e na parte interna das coxas. Mas não mexeu um centímetro na rotina. Continuou sedentária (por causa de um problema no joelho esquerdo) e ativa nas baladas e rodadas de cerveja com os amigos da faculdade. Cerca de um ano depois, apesar da barriga tábua e da cintura fina, tinha novas camadas de gordura nos braços e na parte posterior das coxas. Aos 22 anos, fez uma nova lipoaspiração para extrair os novos excessos. Hoje, com 34 anos, malhadora e bem mais cuidadosa com a alimentação, Patrícia diz que ainda se indispõe com suas gordurinhas extras, que nunca se distribuíram da forma como estavam antes da primeira lipoaspiração. “Engordo menos onde já mexi. Meus braços ficam mais gordos quando meu peso aumenta”, diz.

Histórias de “engorda pós-lipo” como a de Patrícia são comuns nos consultórios médicos. Agora, a ciência está começando a explicá-las. Segundo um estudo inédito realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado, a lipoaspiração não consegue livrar definitivamente o corpo feminino da gordura localizada, pois ela sempre dá um jeito de reaparecer. Embora não da mesma forma. O estudo saiu na revista científica Obesity, do grupo da publicação britânica Nature.

Para demonstrar sua tese, os pesquisadores selecionaram 32 mulheres com idade entre 18 e 50 anos, saudáveis, não sedentárias e um pouco acima do peso, interessadas em fazer uma lipoaspiração. Elas poderiam retirar no máximo 5 litros de gordura. Dessas 32 mulheres, 14 passaram pelo procedimento, retirando gorduras subcutâneas da parte baixa da barriga, das coxas e dos quadris. As demais não fizeram nenhum procedimento emagrecedor. Formaram um grupo de controle, usado pelos pesquisadores para comparar com as que fizeram lipoaspiração. Todas foram orientadas a não alterar o estilo de vida. Elas relatavam estar com o peso estável por pelo menos três meses e manter uma dieta frugal de 1.700 calorias, em média. Por isso, era de esperar que seu peso se mantivesse inalterado nos meses seguintes. Exames sofisticados como ressonância magnética foram realizados em três momentos para monitorar as alterações no peso e na composição corporal de todas as mulheres: após seis semanas, seis meses e ao final de um ano.

O resultado foi que, um ano depois, as mulheres que haviam feito a lipoaspiração tinham recuperado quase toda a gordura retirada. O efeito estético adquirido logo após a cirurgia (classificado como “fabuloso” pelos pesquisadores) tinha sido preservado nas coxas e nos quadris. Mas a gordura tinha voltado, preferencialmente na barriga. Além disso, a gordura visceral, aquela que fica entre os órgãos, também apresentou tendência de aumento maior nas mulheres que fizeram lipoaspiração do que no grupo de controle. Essa gordura é mais comum nos homens. É mais perigosa para a saúde e não é removida na lipoaspiração.

"O cérebro cuida de manter o que ele considera
um nível adequado de gordura para o organismo"
TERI HERNANDEZ, pesquisadora da Universidade do Colorado

Os pesquisadores não sabem explicar por que a gordura aumentou em outros lugares após a lipoaspiração. Segundo uma teoria tradicional, quando os tecidos do corpo são retirados debaixo da pele, novas células de gordura (chamadas de adiposas) ficariam impedidas de se formar ali. Isso levaria o excesso de gordura a ser estocado em células adiposas disponíveis em outros lugares do corpo. Mas, nesse estudo, a lipoaspiração removeu células do abdome, e um ano depois havia gordura acumulada novamente ali. “Com base nos dados desse artigo, não podemos deduzir qual mecanismo levou à recuperação da gordura”, afirma Teri Hernandez, uma das autoras do estudo. Mas arrisca uma hipótese. Segundo Teri, a gordura é importante para estocar energia e regular o equilíbrio energético do corpo. “É possível que o cérebro cuide de manter o que ele considera um nível adequado de gordura corporal para o organismo”, diz.

O pequeno número de mulheres avaliadas dificulta conclusões mais assertivas. Teri diz que seria muito difícil conseguir um número maior de participantes para um estudo dessas características, feito dentro de um hospital. Mas afirma que sua pesquisa foi a primeira a demonstrar os padrões de redistribuição do tecido adiposo após uma lipoaspiração em mulheres. Até então, estudos semelhantes haviam sido feitos apenas com animais.

Segundo a endocrinologista Cíntia Cercato, de São Paulo, a principal contribuição do estudo é mostrar que a remoção de tecido gorduroso mais inofensivo, como o das coxas, resultou no aumento da gordura perigosa, do abdome e das vísceras. Para Rosana Radominski, também endocrinologista e presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, porém, o estudo não permite grandes conclusões. Ela acredita que o próprio estilo de vida das mulheres pode ter contribuído para o aumento nos depósitos de gordura. O médico Carlos Alberto Komatsu, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, afirma que a lipoaspiração não livra ninguém de engordar de novo se a alimentação e a atividade física não estiverem adequadas. “A cirurgia serve para motivar a mudança de hábitos e para tornar a silhueta mais proporcional”, diz Komatsu. “Quem faz uma reeducação alimentar tem resultados mais duradouros.”

Se o estudo é suficiente para dissuadir mulheres carnudas da ideia de fazer uma lipoaspiração, a conclusão mais provável é que não. Ao saber dos resultados do estudo, as mulheres do grupo de controle, que não fizeram a lipoaspiração, continuaram querendo a sua.




por FRANCINE LIMA
Época

Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

Com Medida

Ninguém emagrece efetivamente sem reorganizar a vida e preparar-se para este evento. Emagrecer e ficar magro é uma condição que exige competência para lidar com a força imposta pela nova imagem corporal adquirida através do tratamento.
Martins – 1994

Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Quem quer emagrecer deve caminhar por pelo menos 1 hora, diz médico

O cardiologista Nabil Ghorayeb, do Instituto Dante Pazzanese e do Hospital do Coração (HCor) respondeu a perguntas da internet sobre os benefícios da caminhada.

Segundo o médico, iniciantes devem andar de 30 minutos a 1 hora em pelo menos três dias da semana. Para quem quer perder peso e gordura corporal, o ideal é se exercitar por no mínimo 1 hora. Interromper a atividade por mais de três dias, porém, já causa perda do condicionamento físico.

Caminhar em ritmos alternados – ora mais lento, ora mais rápido – gasta mais energia e queima mais calorias, segundo o especialista. E qualquer dor, tontura ou mal estar na atividade física deve ser investigado, pois não é normal. Ao fazer exercícios com dor, pode-se piorar uma lesão, hérnia de disco, artrose ou, ainda, provocar uma tendinite, rompimento de ligamento ou outros problemas ortopédicos. Por isso, ao sentir desconforto na caminhada, é importante saber o que é, pois isso é um aviso de um problema.

Ghorayeb ressaltou que sentir cansaço ao andar é frequente, mas não falta de ar, o que pode ser um problema no coração ou pulmão. O jeito correto de caminhar é manter a postura ereta e os braços com movimentos alternados, ritmados com os passos, para evitar inchaços. Além disso, deve-se tirar o pé do chão e pisar corretamente.

De acordo com o médico, a pessoa deve fazer exercícios na hora que puder. Pela manhã, as articulações estão muito secas, por isso é preciso fazer um bom alongamento, por 10 a 15 minutos. À noite, por sua vez, os músculos estão mais travados. Ghorayeb também disse que não há risco cardíaco para quem pratica exercícios pela manhã, como apontavam estudos.

Quem caminha com animais e usa esse trajeto como exercício físico deve manter uma continuidade de 15 minutos sem parar. O indicado é procurar um lugar em que o indivíduo fique à vontade, em um piso que não leve a acidentes ou lesões.

O cardiologista afirmou que crianças não devem ter regras impostas de exercícios, pois, quando chegarem ao limite e se cansarem, elas mesmas vão pedir para parar por estarem.

Por fim, o médico destacou que, antes da atividade, a pressão arterial deve estar normal (12 por 8), porque a taxa tende a aumentar com o movimento. Hipertensos devem procurar um médico e, eventualmente, iniciar ou alterar a medicação.

G1

Sábado, 5 de Fevereiro de 2011

IRS Solidário! Seja solidário e não gaste nem um tostão

No ano passado, houve mais de 100 mil agregados familiares a fazer uma consignação de 0,5% do seu IRS para as instituições privadas de solidariedade social (IPSS).

Este ano faça voce tambem....

Quadro 9 anexo H
nº de contribuinte - 509144098



A CoMMedida – Associação de Apoio a Doentes do Comportamento Alimentar - apresentou, em Junho de 2009, um projecto inédito em Portugal e que pretende de colmatar a escassez de oferta pública no apoio aos distúrbios alimentares.

Nascida a partir da ideia originalmente criada em 2008 no Grupo de Apoio a Distúrbios Alimentares do Centro de Saúde de Sete Rios, em Lisboa, a CoMMedida é uma plataforma inovadora de apoio a todas as pessoas que tenham uma relação conflituosa com o corpo e com a alimentação.

Os principais objectivos são tornar os doentes do comportamento alimentar numa prioridade de intervenção, promover a saúde ao longo da vida e envolver os parceiros sociais nas estratégias de tratamento dos distúrbios alimentares.

A CoMMedida, enquanto Instituição Privada de Solidariedade Social, será suportada pelo apoio financeiro de entidades públicas e privadas, e permitirá ao investidor social o acompanhamento da utilização do seu investimento, propiciando assim transparência na relação entre quem dá e quem recebe.

A coordenação deste projecto está a cargo de um grupo de profissionais altamente qualificado. Estamos trabalhando com um equipa altamente qualificada, pois o sucesso deste projecto dependerá em grande medida da visibilidade que venha a obter, bem como da capacidade de agregar em seu redor pessoas com trabalho reconhecido e com uma visão de futuro.

A CoMMedida traz uma abordagem inovadora nos mecanismos de combate aos distúrbios alimentares e acreditamos que se irá tornar realmente um marco histórico para o Terceiro Sector em Portugal.

A Lei 16/2001 (artigo 32 nº4 e 6) regulamenta estes actos de solidariedade através da consignação do imposto já liquidado pelo cidadão contribuinte. A contribuição através da Declaração de Rendimentos é um acto de Responsabilidade Social que visa apoiar todas as pessoas mais desfavorecidas na sociedade.

Ao preencher a sua declaração de IRS, indique o número de contribuinte da ComMedida (NIF)

- 509 144 098 - no quadro 9 do anexo H.

De uma forma simples e sem qualquer encargo para si, 0,5% do seu IRS será destinado pelo estado à ComMedida - , estando assim a contribuir para o desenvolvimento de programas acima descritos.

Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

Linhaça combate o efeito sanfona

Fibra promove a saciedade e ajuda a reduzir a ingestão de alimentos. Repórter testou a dieta e perdeu 3,2 quilos em um mês. por: Guacira Merlin  de Rio de Janeiro e São Paulo

"Ultimamente só estou usando camisa de bolinha", conta o músico João Baumman, apontando para a própria barriga.


"Eu perdi todas as minhas roupas, porque engordei bastante este ano. Eu alargo e depois tenho que diminuir de novo", conta a aposentada Maria Lourdes Rosignoli.

Você já ouviu essa conversa antes? Não é só o pessoal da música que está habituado a pequenos consertos. A obesidade já é um problema de saúde pública. "Nós comemos antes, durante e depois do show", revela a musicista Regina Sbrighi Pimentel.

Consumo de linhaça deve estar associado à dieta saudávelVeja como preparar o pão integral de trigo com linhaçaComida é sinônimo de festa: macarronada, doces, churrasco com os amigos. Nesse ritmo, nosso corpo muda de forma. É o efeito sanfona. Há quem pense que essa é uma preocupação só das mulheres. Errado. Os homens também sofrem. Afinal, a maioria dos brasileiros está com excesso de peso. Não adianta esconder.

"Eu engordava e emagrecia. Engordava e emagrecia", lembra a dona de casa Ivani Benedetti de Oliveira.

Por detrás da sanfona, sempre existe uma história de vai e vem na balança.

"O efeito sanfona é observado quando a pessoa realiza dietas da moda. São dietas muito restritivas, que promovem uma perda de peso rápida. Mas a manutenção desse peso adquirido não ocorre", diz a professora de nutrição Glorimar Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A comerciante Áurea Barcellos conta os tipos de dieta que já fez: "Eu passava o dia todo tomando abacaxi. Já fiz a dieta dos pontos e a dieta da sopa. Também tem outra dieta da sopa: deu sopa, come tudo".

Contra os males do excesso de peso, mulheres unidas. De um lado, aquelas que estão cansadas do engorda e emagrece. Do outro, as nutricionistas da UFRJ. Juntas, estão testando os efeitos da linhaça no combate à obesidade.

"Cada participante da pesquisa recebe um plano alimentar individualizado, que ela deve seguir durante três meses. Fazemos consultas quinzenais, quando elas recebem os suplementos alimentares", explica Glorimar Rosa.

É neste momento que entra a linhaça. São três tipos. "A linhaça dourada apresenta uma maior quantidade de ômega-3 e ômega-6 em comparação com a linhaça marrom integral e a linhaça marrom desengordurada. Ela tem mais gorduras poliinsaturadas, que são benéficas, protetoras do nosso coração", esclarece Glorimar Rosa.

Parte desse grupo recebe óleo de peixe misturado com doce de morango sem açúcar, que também é rico em ômega-3 e 6.

"São três colheres medidas todos os dias, no café da manhã. Vocês podem passar na torrada ou no biscoito", orienta a professora de nutrição Sofia Kimi Uehara, da UFRJ.

"Com geleia de morango enriquecida com óleo de peixe, vemos exclusivamente o efeito do óleo de peixe nos fatores de risco cardiovasculares", diz Glorimar Rosa.

Todos os meses, elas repetem vários exames: colesterol, quantidade de açúcar no sangue, peso, medidas. Em três meses, a costureira Elenice Amorim passou do manequim 48 para o 42 em três meses.

Quem diria que o primeiro efeito para a ex-passista Eliane dos Santos Silva, de 43 anos, seria um novo ritmo de vida? "Eu perdi dez quilos em três meses", conta.

"Aos 35 anos, eu estava bem mais velha do que com 40. Minha autoestima era baixíssima. Quando o filho começa chamar a mãe de gorda e você percebe que o olhar do marido não é o mesmo, você não consegue se ver no espelho", avalia a dona de casa Andréa Rodrigues de Menezes.

"Para mim, a linhaça foi o início de uma vida saudável", diz a enfermeira Fatima Camello.

Quem nunca começou uma dieta e desistiu logo depois? No corre-corre de todos os dias falta tempo para se preocupar com a alimentação e sobram tentações. As mulheres com quem nós conversamos já venceram esse desafio. Chegou a minha vez. Durante um mês, eu experimentei essa dieta. Primeiro, os exames. Uma bateria deles. Foram cinco coletas de sangue. Em seguida, comecei a dieta. E comecei comendo. A ideia foi usar a farinha de linhaça para espantar a fome.

"Ela é um dos alimentos mais ricos em fibras. Essa fibra promove a saciedade no café da manhã e ajuda a paciente que quer emagrecer a reduzir sua ingestão alimentar ao longo do dia", explica a nutricionista Wânia Lúcia Araújo Monteiro, da UFRJ.

"Você preenche o copo [de café] duas vezes. Pode misturar no iogurte, no leite ou em um suco de fruta", orienta a nutricionista Grazielle Huguenin.

Aí que está a grande dificuldade e o meu maior desafio: como seguir essa dieta em um ritmo de trabalho intenso, como é o ritmo de muita gente no dia a dia?

"Você poderia fazer um sanduíche com pão integral, substituindo o arroz, uma cenoura ralada, alface e peito de frango grelhado", diz Grazielle Huguenin.

Foi assim eu adotei a lancheira. Mas não é tão fácil. Recusar delícias como pizza é uma desfeita! No quinto dia da minha dieta, estávamos em um hotel em São Paulo. Eu não podia nem pensar em comer muitas coisas do café da manhã. Optei por um copo de leite desnatado, um pãozinho e queijo. Escolhi uma fatia bem gordinha para ficar feliz. Aonde eu ia levava um copinho com a medida de farinha de linhaça.

Mas e quem resiste a um pão quentinho? Do total de brasileiros, 66% confessam que ir à padaria é o melhor programa para as horas de lazer. Foi o que revelou uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica nas cinco regiões do país.

"Leva um amigo, toma um cafezinho, relaxa, conversa", diz o panificador Wagner Ferreira.

E para quem faz desse lazer um ganha-pão, é ainda mais difícil manter o peso.

"Eu tenho uns 106 quilos. Não resisto. Faço umas caminhadinhas: dou uma volta na padaria", brinca o gerente de padaria José Mazzeo.

Até dona Ivani, da orquestra de sanfonas, já teve uma queda irresistível pela padaria. Adivinhem onde foi o primeiro encontro com o comerciante Manuel de Oliveira?

"Ele trabalhava na padaria e sabia que eu gostava de sonho. Cada vez que meu pai ia lá comprar um doce, meu sonho ia em cima", lembra dona Ivani.

Recuse o primeiro prato quem nunca tentou agradar com comida. "Comida tem uma relação emocional muito importante. Aprendemos de pequenininho que é feio deixar comida no prato. Aprendemos que se comemora comendo. Aprendemos que quando estamos tristes comemos alguma coisa. Existem famílias que começam o domingo à mesa e fica até sete horas no mesmo ambiente", diz o médico-cirurgião Luiz Vicente Berti, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O amor entre dona Ivani e seu Manuel é o mesmo dos tempos da padaria. "Eu estava bem magrinha, com 54 quilos. Ele me chamava de bacalhau, porque eu era muito magra", conta dona Ivani.

"Eu não lembro mais", disfarça seu Manuel.

Mas quem vê esse casal feliz nem imagina que, além da dificuldade em controlar o próprio peso, ainda é preciso enfrentar um grave transtorno alimentar dentro de casa. Com a filha, a veterinária Ana Paula de Oliveira, a questão do peso chegou ao extremo.

"Eu olhava para a comida e virava a cara e falava que não queria. Quanto mais magra eu ficava mais eu me via gorda. Eu me via gorda mesmo. Obesa mórbida. Quando descobriram que eu tinha anorexia, eu fui para o tratamento com 38 quilos", lembra Ana Paula, que está fazendo pós-graduação. "Eu estava precisando de alguma coisa para me distrair, com a qual eu me mantivesse ocupada. Então, dois gatinhos vieram e agora estou cuidando deles", conta.

Estudando e cuidando dos gatinhos, ela se fortalece dia após dia.

"Eu tenho a sorte de ter uma mãe que só faltou se algemar comigo para me vigiar", diz Ana Paula.

"Nós duas vamos ficar sempre juntas", diz dona Ivani.

Durante a reportagem, nós conhecemos muitas histórias de superação. Depois de um mês fazendo a dieta da linhaça, voltamos ao Laboratório de Nutrição para saber se realmente mudou alguma coisa na minha saúde. Os primeiros resultados mostraram taxas normais de glicose, triglicerídeos e colesterol. Mas o teste mais temido foi mesmo o da balança. Eu perdi 3,2 quilos em um mês.

"Graças à dieta e à linhaça. Sem sombra de dúvida, a redução na ingestão de calorias contribuiu de forma importante para a redução de medidas e no peso corporal. Mas a linhaça contribuiu de forma bastante importante no controle da compulsão alimentar, reduzindo a sensação de fome", explica Glorimar Rosa.

A vendedora autônoma Dionar Rodrigues da Silva começou a dieta junto comigo e gostou dos resultados. "Eu tinha cem centímetros de cintura e hoje estou com 89. Não é igual aos regimes malucos que eu comecei a fazer e davam resultado, mas era momentâneo. Em pouco tempo eu fiz a dieta e agora estou vendo o resultado. É um reloginho: todo dia tenho que tomar linhaça. É ótimo", diz. É um adeus ao efeito sanfona.

Não deixe de ver o vídeo


Fonte: G1

Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

Queima-gorduras (Dieta)

Queima-gorduras (Dieta)


Elimine massa gorda, adoptando uma dieta hipocalórica, praticando exercício e ingerindo as substâncias certas

Sabia que existem substâncias que «queimam» a gordura e que, na maioria das vezes, são derivadas de plantas?

Estas substâncias interferem com o processo de digestão e potenciam a sensação de saciedade.

Para além disso, trabalham ao nível dos rins, facilitando a eliminação de líquidos, e potenciam os processos do metabolismo ao nível da tiróide ou da síntese de glicose. São, por isso, muito úteis para quem quer perder peso enquanto complemento de uma dieta hipocalórica (baixa em calorias).

Algumas dessas substâncias «queima-gorduras» estão presentes naturalmente nas alcachofras, no ananás ou na papaia, por exemplo, sendo incluídas, por isso, em muitos suplementos coadjuvantes do emagrecimento. Estes devem, contudo, ser tomados com precaução.

A dietista Marisa Costa explica porquê: «Estes produtos funcionam como um acelerador do metabolismo, potenciando o trabalho natural do organismo. O problema surge quando se deixa de tomá-los e deixa de haver ajuda. Por norma, o metabolismo torna-se mais lento e deixa de perder peso, podendo mesmo voltar a recuperá-lo, principalmente se não adquirir bons hábitos alimentares.»

Efeito saciante e depurativo

Existem também outros alimentos a que se atribui o eventual efeito «queima-gordura». Isto porque a sua digestão queima mais calorias do que as que fornecem ao organismo quando ingeridos. São, maioritariamente, frutas e verduras. Têm pouca gordura e são ricos em antioxidantes e fibra.

É o caso, por exemplo, do alho-francês, dos espargos, da toranja, do melão e da melancia. É importante referir também as propriedades da camelina (planta de camomila), da laranja amarga e de algas como a espirulina ou o fucus vesiculosus.

A lista pode ainda estender-se a várias plantas como a garcinia cambogia, o guaraná, a ortosifão ou a rainha dos prados, conhecidas por ajudarem a adelgaçar, por serem ricas em substâncias saciantes e depurativas.

L-carnitina e ácido linoleico


Uma das principais substâncias «queima-gorduras» é a L-carnitina que parece potenciar um maior recrutamento das células gordas enquanto fonte de energia.

Estimula a perda de gordura e reduz a fadiga muscular e o tempo de recuperação depois de fazer exercício físico.

É obtida através de alguns produtos de origem animal, sobretudo carne.

Já o ácido linoleico conjugado (CLA) abunda também em produtos de origem animal e, em menor quantidade, em alguns óleo de sementes ou de cereais (milho, soja e girassol).

Segundo alguns estudos, esta substância reduz a massa gorda e o perímetro abdominal sem baixar o peso total. Contudo, o seu uso prolongado pode causar alterações no sistema hepático (fígado), pelo que deve ser feito sob acompanhamento de um especialista.

Apoios naturais

Magnésio: O seu papel é importante na conversão da glicose (açúcar) em fonte de energia. A sua falta pode potenciar problemas de prisão de ventre, ansiedade e apetite compulsivo. As amêndoas, o arroz integral e os vegetais de folha verde são boas fontes de magnésio.

Chitosan: É um composto que está presente no plâncton e nas «cascas» dos crustáceos e do marisco. Capta as gorduras presentes nos alimentos para que o organismo não as assimile e as elimine através das fezes.

Sementes de guaraná: Têm um conhecido efeito «queima-gordura» por serem ricas em cafeína, o que aumenta o metabolismo basal e, por isso, o gasto energético do organismo.
Uma dieta deficiente (lanches muito calóricos, grandes períodos de jejum e consequentes refeições abundantes), a par da falta de exercício físico e do sedentarismo propiciam uma maior acumulação de gordura.


Obterá resultados duradouros se:

- Não saltar refeições

- Beber, no mínimo, dois litros de água por dia

- Usar adoçante em vez de açúcar

- Fizer exercício físico de forma regular

Bons hábitos para não engordar

- Faça uma alimentação equilibrada rica em legumes e verduras, (devem ocupar metade do prato do almoço e jantar).

- Ingira cerca de 3 peças de frutas por dia.

- Inicie a refeição do almoço e jantar com sopa de legumes (com pouca ou sem batata).

- Não esqueça o consumo de leguminosas, cereais, peixe e, em menor quantidade, carne e, de forma residual, gorduras.

- Limite o consumo de bebidas com açúcar e/ou gás.

- Mantenha um estilo de vida activo, praticando exercício físico de forma regular, dando maior importância a exercícios que trabalham o sistema cardiovascular (corrida ou caminhada enérgica, por exemplo).

Texto: Ana Catarina Alberto com Marisa Costa (dietista do Hospitald e São João no Porto)
A responsabilidade editorial desta informação é da revista Prevenir

Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

IRS Solidário



A Lei 16/2001 (artigo 32 nº4 e 6)


"Artigo 32.º - Benefícios fiscais
4 — Uma quota equivalente a 0,5 % do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, liquidado com base nas declarações anuais, pode ser destinada pelo contribuinte, para fins religiosos ou de beneficência, a uma igreja ou comunidade religiosa radicada no País, que indicará na declaração de rendimentos, desde que essa igreja ou comunidade religiosa tenha requerido o benefício fiscal.
6 — O contribuinte que não use a faculdade prevista no n.o 4 pode fazer uma consignação fiscal equivalente a favor de uma pessoa colectiva de utilidade pública de fins de beneficência ou de assistência ou humanitários ou de uma instituição particular de solidariedade social, que indicará na sua declaração de rendimentos.regulamenta estes actos de solidariedade através da consignação do imposto já liquidado pelo cidadão contribuinte. A contribuição através da Declaração de Rendimentos é um acto de Responsabilidade Social que visa apoiar todas as pessoas mais desfavorecidas na sociedade. "

Ao preencher a sua declaração de IRS, indique o número de contribuinte da ComMedida (NIF)


- 509 144 098 - no quadro 9 do anexo H.

Sem encargo para si, 0,5% do seu IRS será destinado pelo estado à ComMedida.

A ComMedida traz uma abordagem inovadora nos mecanismos de combate aos distúrbios alimentares e acreditamos que se irá tornar realmente num marco histórico para o Terceiro Sector em Portugal. Os principais objectivos são tornar os doentes do comportamento alimentar numa prioridade de intervenção, promover a saúde ao longo da vida e envolver os parceiros sociais nas estratégias de tratamento dos distúrbios alimentares e na investigação científica.

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

Modelo francesa Isabelle Caro morre de anorexia aos 28 anos e 31 quilos


O nome talvez não soe como conhecido. Mas o cartaz, com a assinatura do fotógrafo italiano Oliviero Toscano, em que a actriz e modelo francesa Isabelle Caro posava nua e cadavérica, vítima de anorexia, numa campanha de luta contra a doença, marcou uma posição sobre o assunto. Isabel morreu no Japão, onde estava internada, aos 28 anos. Pesava 31 quilos.

Fonte:Publico

Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

Globo Repórter sobre OBESIDADE - Receita ARROZ SAUDÁVEL DE HARWARD

Arroz Saudável de Harward




Foi bem bacana a reportagem no Globo Repórter de ontem sobre obesidade.
No final desta postagem você encontra a receita completa do Arroz de Harward e outras dicas.

Comer gordura trans faz ganhar peso ao longo do tempo, afirma nutrólogo

A gordura trans deixa os alimentos mais crocantes e faz tudo durar mais nas prateleiras. Mas nosso corpo não consegue transformar nem aproveitar essa substância, que acaba se acumulando nas artérias.

Mercado de orgânicos nos EUA cresce US$ 24 bilhões em dez anos

A comida saudável ainda é cara, mas tem muito mais gente comprando. Veja também qual é o segredo de Boulder. A cidade mais feliz e saudável de todos os Estados Unidos mudou seus hábitos alimentares.



Médico compara problema da gordura com guerra contra cigarro

Para o doutor David Eisenberg, da Escola de Medicina de Harvard, seria bom repetir uma tática que parece ter funcionado, pelo menos em relação ao fumo: dar o exemplo para os outros deixando o cigarro.



Programa dá US$ 1 para ser gasto na feira e ajuda crianças a emagrecer

Na cidade de Lawrence, médicos cansaram de ver crianças acima do peso. Mas, em vez de remédio, receitam comida. Os pacientes ganham um cupom para ser trocado na feira.



Brasileiras compram remédio ilegal para emagrecer nos Estados Unidos

Nos EUA, muitas brasileiras que engordam acabam comprando remédios ilegais para emagrecer. Esses medicamentos levam à insuficiência cardíaca e a um ataque do coração, afirmam os médicos.




Michelle Obama lidera campanha contra obesidade infantil nos EUA

Nessa luta, a primeira dama americana conseguiu o apoio de indústrias responsáveis por ¼ da comida produzida no país. Na Casa Branca, ela cultiva uma horta para incentivar a campanha.




Prepare o arroz vegetal com salada e vinagrete de limão de Harvard

Aprenda a fazer a receita que a estudante Michelle Hauser, da Escola de Medicina de Harvard, mostrou ao repórter Flávio Fachel no programa.

Prepare o arroz vegetal com salada e vinagrete de limão de Harvard

Vinagretes são bem simples de ser feitos e têm gosto muito melhor do que molhos para saladas que você pode comprar na loja. Esta sala é um ótimo jeito de usar sobras de arroz.

As sobras de arroz são um ótimo “massa” para salada verde e acompanhamento para outro patro. Essa sala, na verdade, tem um gosto melhor no “dia seguinte”. As sobras do vinagrete podem ser usadas depois em outra salada.

Ingredientes

Vinagrete
¼ copo de limão fresco espremido
2 dentes de alho, picados ou ralados
1colher de sopa de vinagre doce ou de pimenta jalapeno
½ copo de óleo extra virgem
1 pitada de sal
Pimenta do reino moída

Arroz
1 ou 2 colheres de manjericão picado
½ xícara de coentro picado
2 pepinos médios
2 pimentões vermelhos
3 cenouras raladas
3 cebolas fatiadas
1 ½ colher de chá de cominho em pó
1 colher de chá de coentro
4 xícaras de arroz integral cozido
Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo
- Em uma bacia média, mistura o alho e a pimenta jalapeno com o suco de limão e deixe por cinco minutos
- Coloque ½ xícara de óleo aos poucos na mistura e vá bata constantemente com o garfo.
- Para controlar a acidez: prove uma pequena amostra do seu vinagrete. Se ele for muito azedo, bata em um óleo mais um pouco e saboree novamente. Se não for suficiente azedo, acrescente mais suco de limão. Tempere com uma pitada de sal e pimenta.
- Em uma tigela grande, misture as ervas, legumes, cominho, coentro e arroz. Mexa bem e, em seguida, regue com a mistura de arroz de legumes, mexendo bem leve. Use o vinagrete o suficiente para que os legumes e arroz sejam cobertos. Você provavelmente não vai precisar de toda a vinagrete. Tempere com sal e pimenta a gosto. Sirva na temperatura ambiente ou levemente gelado.

Porções: 8xícaras de salada

Observações
Guarde na geladeira e coma a salada em três ou quatro dias.

Guarde a sobra de vinagrete uma salada ou use como molho. Mantenha na geladeira (em uma jarra de vidro com uma tampa) e utilize dentro de cinco dias. O azeite pode solidificar na geladeira por causa da temperatura baixa. Basta remover da geladeira alguns minutos antes de usar ou colocar em banho-maria para derreter o óleo.

Outras opções
A receita de vinagrete pode ser usada para fazer qualquer sabor vinagrete que você desejar. Substitua o suco de limão por outro suco. Substitua o azeite com outros óleos, como canola, girassol, gergelim, amendoim ou óleo de amêndoa doce. Você também pode usar uma pequena quantidade de avelã ou óleo de semente de gergelim torrado. Você também pode adicionar outros ingredientes, como cebolinha e ervas. As vinagretes que incluem ingredientes frescos como alho, cebola, ervas aromáticas ou sumo de fruta podem ser mantidas vários dias na geladeira, enquanto aqueles com apenas óleo, vinagre, condimentos preparados e ervas secas e especiarias podem ser mantidos por semanas.


Confira cinco dicas para alimentação da Universidade de Harvard nos EUA


Dica número 1
Evitar engordar na meia idade é muito importante. Devemos manter o ganho de peso o mais lento possível, porque isso acaba em diabetes, ataque do coração e muitos tipos de câncer.

Dica número 2
Nós temos farinha branca, arroz branco, macarrão branco. Devemos optar pelas versões integrais destes produtos e manter os açúcares o mais baixo que pudermos.

Dica número 3
Escolha as gorduras boas para a sua dieta, o que significa usar óleos líquidos vegetais, sempre que possível.

Dica número 4
Coma mais frutas e verduras. Escolha cores variadas e diferentes, como alimentos da cor verde escuro, amarelo, laranja e vermelho.

Dica número 5
Se você bebe álcool, seja cuidadoso. Nós vemos benefícios no consumo moderado de álcool para as doenças do coração. Mas isso não é para todo mundo. Quem tem problemas com o álcool, deve se afastar das bebidas.


Entre em contato com especialistas sobre obesidade nos Estados Unidos
Blog da estudante de medicina Michelle Heuser, de Harvard
Site: http://achefinmedschool.blogspot.com/

Seminários de Harvard sobre alimentação saudável para médicos
Site: http://www.healthykitchens.org/

Dicas de Harvard, da Escola de Saúde Pública
Site: http://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/what-should-you-eat/index.html

Fundação americana que distribui cupons para alimentos saudáveis
Site: http://www.cavufoundation.org/hwi.html

Diretora do Grupo de Mulheres Brasileiras de Boston: Heloísa Galvão
E-mail: helogalvao@aol.com


Fonte: Culinarista Mauro Rebelo

Domingo, 10 de Outubro de 2010

Comedores compulsivos

Há cada vez mais pessoas que não param de comer
por CATARINA CRISTÃO



Comem sem conseguir parar e escondem bolachas ou chocolates para ter a certeza de que estarão lá sempre que precisarem. São dependentes de alimentos calóricos, que garantem uma rápida sensação de satisfação e diminuem a ansiedade. Não há números concretos, mas estima-se que este problema represente 8% dos distúrbios alimentares. Os médicos alertam que muitos adictos não reconhecem que estão doentes.


Durante dez anos da minha vida, entre os 20 e os 30, tinha sempre o meu stock de chocolates atrás da porta do quarto. Só assim me sentia protegida. Tinha de saber que os tinha lá e que não precisava de sair de casa para os comprar e comer." A comida sempre dominou a vida de Margarida, agora com 48 anos. Chegou a pesar 120 quilos, pelo comportamento obsessivo que desenvolveu em relação a bolos, tartes e doces. Costumava comprá-los durante a hora do trabalho e ficar o resto do dia a pensar no momento em que os iria consumir, à noite em casa, às escondidas e longe dos olhares reprovadores dos outros.
Margarida é uma adicta da comida, uma doença que pode ser tão destrutiva como a dependência do álcool ou das drogas. "É uma prisão. Não se pode viver com ela nem sem ela. Quando estava triste, comia exageradamente; quando estava contente, também, porque achava que merecia, como se fosse um prémio", lembra. Na pior fase, perto do 30 anos, as depressões sucessivas levaram-na a tomar antidepressivos e a tentar suicidar-se por diversas vezes.

"Os adictos da comida ou overating sofrem de um mecanismo obsessivo e compulsivo que os leva a comer exageradamente, sobretudo alimentos calóricos porque são os que rapidamente dão sensação de compensação", explica João Pedro Augusto, psicólogo da Centro de Recuperação Villa Ramadas, que estima que esta doença represente 8% dos distúrbios alimentares e que haja centenas de milhares de doentes em todo o mundo. "A tendência será para o número ir crescendo, como acontece nos outros distúrbios."

Para este especialista em adição, o factor mais importante não é a comida, mas o que está por trás do comportamento. "São doentes que sofrem de graves problemas psicológicos e emocionais. O overating não é o problema. É o sintoma do problema", refere.

Já Isabel do Carmo, endocrinologista do Hospital de Santa Maria, define adições específicas: "Existem dependências de certos alimentos, como o chocolate ou doces. Ao serem ingeridos, fazem que o cérebro liberte substâncias químicas, como a serotonina e a dopamina, responsáveis pelo bem-estar. Um processo semelhante ao que acontece com o tabaco e as drogas. Resulta numa espécie de tratamento antidepressivo."

"Os alimentos identificados como tendo propriedades aditivas incluem os doces, os glícidos ou hidratos de carbono, as gorduras, as combinações gordura/doces e possivelmente alimentos muito ricos em sal", refere ainda o endocrinologista David Carvalho.

Sobreviver apenas

Já em criança Margarida tinha problemas de auto-estima . "Era a mais gordinha de três irmãs, isolava-me e sentia-me menos do que os outros", lembra. A primeira vez que tentou fazer uma dieta tinha oito anos e, à medida que os anos passaram, o problema da comida foi-se instalando. "Sem dar por isso, ia-me refugiando nos alimentos. Precisava deles para estar protegida." Porém, a adição trouxe-lhe ainda mais instabilidade psíquica: "À noite comia, no mínimo, uma tablete de chocolate para me sentir bem, mas no fim, a tristeza, revolta e remorsos apoderavam-se de mim. Acordar no dia seguinte para ir trabalhar era um sofrimento horroroso. Eu não vivia, eu sobrevivia."

A adição à comida também acompanha Denise, 35 anos, desde criança. "Nunca tinha entendido a vontade voraz de comer como doença ou adição", confessa.
"A grande dificuldade é a aceitação da doença. As pessoas entram em negação. Pensam 'é só hoje'. Mas entra-se num padrão de comportamento", alerta o psicólogo João Augusto, referindo que as desculpas são sempre as mesmas: "Comem porque estão desempregadas, porque correu mal o dia, porque estão deprimidos. E só termina quando já está maldisposto."

As dietas rápidas e sucessivas faziam parte da vida de Denise, "mas falhavam sempre". Sentia-se muito mal com o seu aspecto físico: "Deixei de conviver com os meus amigos e não conseguia interagir com os meus colegas do trabalho. Isolava-me do mundo."

Denise está em tratamento desde há um ano. Frequenta as reuniões dos Adictos da Comida Anónimos (ver texto relacionado) e ganhou auto-estima. Desde então não voltou a comer alimentos que pudessem causar adição. "Há 15 anos que não toco em chocolate", garante também Margarida, que também está a fazer recuperação nas reuniões em Lisboa.

fonte. Sapo

Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

Setembro em réentrée com os grupos de entreajuda!

Os grupos de entreajuda permitem a partilha de experiências, o encontro com outras pessoas em situação similar e com total confidencialidade. Os grupos de entreajuda da Commedida, funcionam através da partilha de experiências pessoais, de exercícios simples orientados pelo mediador, de conversa sobre temas importantes para as pessoas presentes, procurando sempre um objectivo principal: que cada participante ganhe uma melhor perspectiva sobre quem é e o que pode fazer para resolver os problemas que enfrenta.

Queremos ajudar, entre em contacto connosco!

ComMedida - Associação de Apoio a Doentes do Comportamento Alimentar
email: commedida@gmail.com
site: http://www.commedida.pt/
Blog: http://www.commedida.blogspot.com/
contacto:+351 93 526 8501

Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010

Os alimentos e as emoções

Comer nunca se limitou nem se há-de limitar simplesmente à satisfação da sensação física de fome. Nós comemos não apenas para “calar” o estômago, mas também para satisfazer o apetite e lidar com as nossas emoções.

A partir do momento em que um dos pais oferece o primeiro biscoito ou doce para confortar ou sossegar a criança, os alimentos deixam de ter apenas o seu efeito nutritivo, mas também ganham um sentido emotivo. Desde cedo que os alimentos são usados para celebrar, acalmar ou aliviar de um aborrecimento ou depressão e confortar em momentos de tristeza ou stress emocional. Este comportamento face aos alimentos, é muito comum. Aceitar um pedaço de um bolo de aniversário, porque seria anti-social recusar, dar a nós próprios um pouco de chocolate ou alguns biscoitos após terminar um trabalho difícil ou beber um copo de vinho ou cerveja socialmente, são algumas das normas da vida quotidiana.

O problema chega quando o hábito de comer, de forma emotiva, deixa de ser um consumo saudável e resulta num ganho de peso incontrolável.

Reconhece-se actualmente de que para solucionar o problema de peso da grande maioria dos indivíduos não basta fazer uma dieta de 1500 calorias por dia e fazer um plano de exercícios; muitos especialistas introduzem assim técnicas de modificação comportamental, como abordagem para reduzir e manter o peso corporal equilibrado.

Perceber que comemos movidos por emoções é o primeiro passo para se dar a volta ao problema. As questões e sugestões seguintes poderão ajudá-lo a encontrar soluções para o aumento de peso, provocado por esta forma de comer.

P. Come quando tem fome?
Crie um diário alimentar onde anote o que come, quanto come e quando come e as emoções, ou situações, que desencadearam a vontade de comer. Tomar consciência das motivações pode ajudar a enfrentar a situação. Se está triste com alguma coisa, descubra o porquê e tente resolver. Se está triste, sente-se, escreva porque é que está triste e verifique se não consegue sentir-se melhor sem recorrer à comida.

P. Suspira por algum alimento?
Quando tiver esse desejo novamente, tome consciência do que está a acontecer e tenha a certeza de que consegue resistir, se deixar passar um tempo. Faça uma lista de actividades que o divirtam e captem a sua atenção, pois ajudarão a passar esse momento. Telefone a alguém, caminhe, tome um banho ou beba uma bebida quente.

P. Come porque está deprimido e pensa que nunca poderá ter a imagem perfeita, divulgada pelos media?
Modifique as suas metas e comece a comer bem e a fazer exercício regularmente, não para ser um modelo, mas para estar em forma, emagrecer e sentir-se bem consigo própria.

Combinando umas noções simples e claras sobre nutrição e conselhos de exercício práticos eficazes é, para muitos, apenas metade da solução quando tentam ter uma perda de peso permanente. Compreender as razões da sobrealimentação, fazer frente a esta e encontrar estratégias práticas para mudar este comportamento contribuirá para perder os quilos que tinha fixado como objectivo.

Fonte: Eufic

Terça-feira, 6 de Julho de 2010

Férias de Sopa?

Nas últimas consultas, com a temperatura a aumentar, muitas pessoas me têm dito que estão a dar "férias" à sopa...
Eu desaconselho imenso esta opção! A sopa é um dos alimentos primordiais da nossa alimentação por vários sobejamente conhecidos por todos...Sendo que nesta altura, em concreto se torna uma fonte extra para a obtenção de água e consequentemente para a rehidratação!

Nem sempre passa pelas sopas quentes! Já pensou nas sopas frias?
Gaspacho, sopa de melão, sopa de alho francês tipo Vichisoise, sopa de pepino, e por aí fora!

São tantas as opções! Vale a pena tentar!

Em relação à água...não esquecer dar atenção redobrada às crianças e aos mais velhos.
Publicada por Inês Gil Forte

Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Abertura de vagas para tecnicos especializados

Com abertura de novos grupos, presenciais e virtuais (on line) estamos recrutando novos técnicos:

Psicólogos (Cognitivo Comportamental) Sénior e Júnior

Nutricionistas Sénior

Somos uma IPSS e trabalhamos com pessoal voluntário

O que é ser um voluntário?

Voluntário é o cidadão que doa seu tempo, trabalho e talento, de maneira espontânea e não remunerada para causas de interesse social e comunitária.

Trabalho voluntário é uma acção duradoura e com qualidade

Sua função não é tapar buracos e compensar carências. A acção voluntária contribui para melhorar a qualidade de vida da comunidade.

Cada voluntário ao seu modo

Basta decidir ajudar, escolhendo uma forma de utilizar as aptidões de cada um. Você pode dedicar algumas horas por dia, semana ou por mês. A actividade pode ser ocasional ou rotineira. O importante é assumir o compromisso com aquilo que se pode cumprir.


-.-.-

ComMedida - Associação de Apoio a Doentes do Comportamento Alimentar
email: commedida@gmail.com
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Blog: http://www.commedida.blogspot.com/
facebook: http://www.facebook.com/commedida
contacto:+351 93 526 8501

Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

Conheça na net os pratos habituais da dieta dos portugueses

Uma dieta pode ficar mais simples com a consulta da lista agora disponibilizada na net pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA). Ali figura a composição de alimentos e cozinhados comuns na nossa mesa. Algumas bebidas também têm conta feita.

Ainda não constam o cozido à portuguesa ou as tripas à moda do Porto, nem as 101 maneiras de apresentar o bacalhau numa refeição. Essa será uma fase mais adiantada do projecto europeu em que se insere a elaboração da Tabela de Composição de Alimentos. Mas já vai em 962 a listagem feita pelo INSA e pelo Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR), que tudo “pesaram” para dar a saber aos portugueses o que andam a comer. Os dados podem ser consultados por ordem alfabética, grupo de alimentos ou seus componentes, havendo ainda a hipótese de um caminho mais directo, através da introdução da palavra-chave.

Os valores dos nutrientes são indicados com especificação do teor em proteínas, gorduras, vitaminas, açúcares e hidratos de carbono, entre outras especificações, sendo a referência tomada para um peso de 100 gramas do alimento ou cozinhado e, no caso das bebidas, para um volume de 100 mililitros.

Para todo este conjunto de informação foram feitos estudos analíticos (em laboratório) e recolhidos outros dados a partir dos rótulos de alimentos já transformados. A maior parte dos alimentos estudados foi adquirida em estabelecimentos comerciais das Áreas da Grande Lisboa e do Grande Porto.

A Tabela da Composição de Alimentos (TCA) vai continuar a ser acrescentada na listagem . O INSA, ao colocá-la na internet de forma gratuita, está convicto de contribuir “para uma maior literacia em saúde e, consequentemente, uma população mais informada, condições essenciais para a promoção da saúde e a prevenção de doenças associadas à alimentação”. A TCA também está disponível nas versões de livro e CD. Nestes casos, já há um custo, de 30 euros.

Quem consultar o endereço electrónico http://www.insa.pt e direccionar a sua pesquisa para a TAC tem acesso a uma explicação inicial sobre os constituintes analisados, o valor energético e outros indicadores. Ao todo, foram verificados 42 componentes/nutrientes, um dos quais, o colesterol, pode ser determinante nas escolhas para uma dieta mais saudável. Mas estão ali também referidas quais as vitaminas em que o alimento é mais rico na sua composição e também os minerais presentes. Até a água, presente em maior ou menor proporção, foi analisada. Os valores, nestes casos, podem ser indicados em microgramas ou miligramas.

Um elemento que pode ajudar à escolha tem natureza gráfica e é dos mais convincentes para quem hesite em fazer uma dieta salutar: o valor energético fornecido, entre outros, pela gordura, proteínas ou hidratos de carbono surge explícito em barras a cores. Que dizer de uma salsicha tipo Frankfurt, em que o teor de gordura, de 74%, quase rebenta a escala? A função informativa e pedagógica ressalta de dados como este.

fonte: JN Sapo.pt

Sábado, 19 de Junho de 2010

Trecho do Livro: Pense Magro | Judith S. Beck

Livro: Pense Magro


Se você enfrentou dificuldades para emagrecer ou emagreceu e engordou novamente nos últimos tempos, você culpou a si mesmo (Sou muito fraco… Não estava motivado o suficiente), culpou seu organismo (Tem alguma coisa errada em mim… Eu, simplesmente, não consigo emagrecer), ou à dieta que escolheu (Esta, definitivamente, não funciona pra mim)?

Fico feliz em lhe dizer que a razão de seu insucesso tem outra explicação. Você, apenas, não sabia como fazer dieta. Quando aprender a fazer dieta, subirá na balança e verá um peso cada vez menor, semana após semana. Você vestirá roupas menores. Você vivenciará todos benefícios maravilhosos de um corpo mais magro: mais energia, autoconfiança e saúde, auto-estima melhorada, menos dores e desconfortos. Você pode sentir tudo isso – e manter pelo resto da vida, sem que lhe escape como nas outras vezes. O círculo vicioso do emagrecimento vai desaparecer para sempre.

Isso é o que está ao seu alcance quando você aprende a ser persistente na dieta. Este livro lhe ensina a evitar as trapaças; resistir a alimentos tentadores, mesmo que estejam bem a sua frente; lidar com a fome, com os desejos incontroláveis, com o estresse, e com as emoções negativas, sem que você precise comer para se confortar. Você aprenderá a se motivar para praticar exercícios, mesmo que isso não seja de sua natureza. Você descobrirá como fazer tudo o que for necessário para alcançar o sucesso em sua dieta – mudando a maneira como você pensa.

A maioria das pessoas que vem ao meu consultório para emagrecer já teve a experiência de iniciar dietas e desistir delas durante anos. Todas elas têm algo em comum: não sabem pensar como uma pessoa magra. As pessoas que lutam para emagrecer têm uma programação mental que sabota seus esforços. Frequentemente, têm pensamentos como:

•Sei que não deveria comer isto, mas não me importo.
•Se eu comer isto só desta vez não vai ter problema.
•Tive um dia tão difícil. Mereço comer o que quiser.
•Não consigo resistir a esta comida.
•Estou chateado. Tenho que comer.
•Já que comi o que não devia, vou continuar comendo até o fim do dia.
•É muito difícil. Não quero continuar fazendo dieta.
•Nunca vou emagrecer.
Se qualquer um desses pensamentos lhe parece familiar, você é um candidato perfeito para ler este livro. Este programa ensina você a enfrentar pensamentos sabotadores de forma convincente. Quando escutar uma pequena voz em sua cabeça falando “Ah, coma só isso… Não tem importância”, você será capaz de dizer para si mesmo “Tem importância sim… Eu quero ser magro… Todas as vezes que comer algo não planejado, aumentarei a probabilidade de fazer isso novamente… Sempre terá importância… Estou apenas tentando me enganar… Se comer isto, sentirei prazer por alguns segundos, mas depois irei me sentir mal… Eu posso resistir… Para mim, é muito mais importante emagrecer do que ter alguns segundos de prazer”.

Chega de “trapacear”

Neste livro, a palavra trapaça não aparecerá novamente fora desta caixa de texto. Abri essa exceção intencionalmente porque muita gente com problemas para emagrecer costuma ter um padrão de pensamento denominado tudo-ou-nada sobre alimentação: Ou faço a dieta sem cometer nenhum deslize ou então estarei trapaceando… Se eu estiver trapaceando, então é melhor desistir – Eu posso, com certeza, continuar trapaceando o dia (semana, mês, ano) inteiro. Ficou evidente, para mim, que os indivíduos que viam a si mesmos como “trapaceadores” sentiam-se desmoralizados e até mesmo “maus”, e isso dificultava sua reintegração à dieta quando, por ventura, se afastavam dela. Em vez de trapaça, usei as expressões comer o que não foi planejado ou comer exageradamente. Esses termos têm uma carga negativa menor. As pessoas que os empregam são capazes de adotar uma visão mais otimista da situação e dizer: Tudo bem, comi algo que não estava programado ou comi mais do que deveria, mas também são capazes de acrescentar: Foi apenas um equívoco, nada demais… Vou voltar agora mesmo para a dieta.

Por que o peso é importante?

Se você estiver em dúvida quanto a iniciar ou não a dieta definitiva de Beck, considere o seguinte: muitas pessoas ganham alguns quilos, a cada ano, devido ao fato natural de o organismo ficar mais lento com o passar da idade. Somando-se a isso o fato de que são necessárias apenas 20 e poucas calorias extras por dia para engordar 900 gramas por ano, o resultado é que se você estiver hoje com 4 quilos de sobrepeso e não fizer nada, daqui a um ano, você poderá ter 5 quilos ou 6 quilos a mais; depois de mais um ano, talvez 7 ou 8 quilos de excesso de peso, e assim por diante. No entanto, em vez de engordar, você pode emagrecer e manter o peso alcançado, praticando os princípios ensinados neste livro.

Qualquer dieta razoável dará certo se você estabelecer a programação mental adequada. A dieta definitiva de Beck é um programa psicológico e não uma dieta alimentar. Não lhe diz o que comer – você pode escolher a dieta de sua preferência, desde que seja nutritiva. Se você estabelecer a programação mental adequada, qualquer dieta razoável dará certo. Este programa ensina você a comer conforme o esperado e a responder a pensamentos sabotadores como eu não quero que, eu não tenho que, ou eu não consigo.

Para escolher alimentos apropriados e utilizar hábitos alimentares adequados, você precisa aprender a fazer modificações permanentes na maneira de pensar. Com um programa passo a passo abrangente como este, você conseguirá manter-se na sua dieta, emagrecer e manter o peso alcançado. A dieta definitiva de Beck é baseada nos princípios da terapia cognitiva (conhecida também como terapia cognitiva-comportamental ou TCC), a forma mais amplamente estudada e eficaz de psicoterapias no mundo.

Aaron T. Beck, M.D., promoveu uma revolução no campo da saúde mental, quando, no final dos anos 1950 e início dos anos de 1960, desafiou com suas pesquisas as teorias de Sigmund Freud. Freud e seus seguidores acreditavam que a depressão e outros tipos de doenças mentais originavam-se de temores e conflitos reprimidos, e mantinham os pacientes em sessões diárias de psicanálise durante muitos anos.

Aaron Beck descobriu, entretanto, que os pacientes deprimidos podiam melhorar rapidamente – normalmente com 10 ou 12 sessões de terapia. Quando ele os ajudou a alcançar metas, solucionar problemas e modificar seus pensamentos depressivos, a depressão regredia rapidamente. Ele nomeou este novo tratamento de “terapia cognitiva” pelo fato de o componente principal do tratamento concentrar-se na correção de pensamentos distorcidos. O termo “cognitivo” refere-se a pensamento.

Nos anos seguintes, a terapia cognitiva foi adaptada por Aaron Beck e por pesquisadores do mundo inteiro, para ser utilizada em inúmeros transtornos e problemas psicológicos. Centenas de estudos baseados em pesquisas demonstraram que a terapia auxilia pessoas que enfrentam um grande número de dificuldades, incluindo depressão, ansiedade, transtornos alimentares, obesidade, tabagismo e comportamentos adictos. O mais impressionante é que as pessoas não apenas melhoram, mas mantêm a melhora com o passar dos anos. Elas aprendem como mudar seus pensamentos imprecisos e disfuncionais para que se sintam melhores emocionalmente e para que se comportem de maneira mais produtiva na busca de suas metas.

Um estudo recente, na Suécia, demonstrou a eficácia da terapia cognitiva no emagrecimento. Indivíduos matriculados num programa de terapia cognitiva emagreceram mais ou menos 8 quilos em 10 semanas de tratamento. (Enquanto isso, as pessoas que aguardavam na fila de espera para o mesmo tratamento não apresentaram qualquer diminuição no peso.) O mais impressionante foi o resultado da avaliação do grupo de estudo. Um ano e meio após o tratamento, quase todas as pessoas estudadas, mais precisamente 92% delas, havia não somente mantido a perda de peso, mas emagrecido ainda mais. Isso é o que diferencia a terapia cognitiva dos outros tipos de terapia e de outros programas de emagrecimento.

Compare esses resultados com o das pessoas que já fizeram dieta, mas não tiveram acesso à terapia cognitiva. Uma pesquisa concluída na Universidade de Tufts descobriu que entre 50 e 70 por cento das pessoas que iniciaram uma de quatro dietas amplamente utilizadas não foram capazes de persistir e continuar emagrecendo no decorrer de um ano.

Ainda mais desanimador é a preocupante tendência revelada por outros estudos que acompanham o comportamento das pessoas depois de perderem peso: a maioria delas, independentemente da dieta que tenha seguido, recupera, em até um ano, a maior parte dos quilos perdidos.

A terapia cognitiva baseia-se no conceito de que a maneira como as pessoas pensam afeta o que elas sentem e o que elas fazem. Digamos que você pense: Estou com fome. Se, em seguida, tiver um “pensamento sabotador” (Isto é horrível. Não posso tolerar. Tenho que comer!), você vai ficar apavorado e vai sair atrás de comida. Por outro lado, se você contrariar esses pensamentos com “respostas adaptativas” (Tudo bem. Vou comer dentro de poucas horas. Posso esperar) você se sentirá no controle da situação e acabará se envolvendo em outras atividades. A terapia cognitiva o ajuda a identificar pensamentos sabotadores e a responder a eles de maneira funcional, o que leva você a se sentir melhor e a se comportar de maneira mais produtiva. Com a terapia as pessoas aprendem a resolver problemas e quem faz dieta pode ter muitos problemas. Por exemplo, você já saiu da dieta por alguma destas razões?

•Não se sentiu satisfeito mesmo tendo acabado de comer.
•Sentiu-se chateado e pensou que comer o faria se sentir melhor.
•Sentiu-se atraído por um alimento enquanto fazia compras no supermercado.
•Estava tão cansado para cozinhar que optou por fastfood.
•É muito educado para recusar a sobremesa que prepararam para você.
•Foi a uma festa e teve vontade de se tratar bem.
Para que você consiga emagrecer e manter o peso conquistado, você precisa resolver esses problemas práticos. Precisa, também, resolver alguns problemas psicológicos, por exemplo:

•A sensação de estar sobrecarregado pelas exigências da dieta.
•A sensação de estar em privação.
•A sensação de estar desmotivado quando seu emagrecimento não correspondeu ao previsto.
•A sensação de estar estressado com outros problemas da vida.
A terapia cognitiva o ajuda a resolver problemas práticos e psicológicos, e também a aprender novos pensamentos e novas habilidades comportamentais – ferramentas que você poderá utilizar pelo resto da sua vida. Além de superar seus problemas atuais, você também aprenderá a utilizar as novas habilidades para resolver problemas futuros.

Você é parecido com Sue?

Utilizo a terapia cognitiva por mais de 20 anos para ajudar as pessoas a resolverem vários problemas, inclusive a luta pelo emagrecimento. Sue é um exemplo típico. Ela estava habituada, desde o ensino médio, a experimentar várias dietas, mas acabava presa a um círculo bastante conhecido: durante as primeiras semanas ou meses de cada dieta que iniciava, ela, confiantemente, emagrecia e se sentia no controle; de repente, algo a fazia desviar-se da dieta.

As razões variavam. Uma vez seu chefe pediu para que trabalhasse até mais tarde, o que, segundo ela, foi “motivo” para pegar uma pizza a caminho de casa. Em outra ocasião, após uma discussão com o marido, ficou chateada e “se pegou” comendo um pote de 500ml de sorvete de chocolate. Em outra vez, ela “perdeu o controle” em uma festa, ao ver uma mesa coberta de pratos tentadores.

Todas as vezes que Sue encontrava uma desculpa para se afastar da dieta, sua determinação rapidamente diminuía. Ela continuava a comer sem controle. Então, sentia-se fracassada, pensava que nunca conseguiria emagrecer e desistia completamente, recuperando o peso que havia perdido – e, às vezes, mais.

Sue começou ainda uma nova dieta, logo depois da sua primeira sessão comigo. As duas ou três semanas iniciais dessa dieta foram calmas, mas então Sue teve uma racaída. Ela estava tão aborrecida com um problema ocorrido no emprego que começou a “comer tudo o que via pela frente.” Por sorte, ela veio ao consultório no dia seguinte. Quando examinamos o que Sue havia comido, tornou-se claro que ela não havia “arruinado totalmente” a dieta. Eu a ajudei a perceber que, se ela voltasse a fazer corretamente a dieta, ganharia, no máximo, 250g naquela semana – o que não seria uma recaída tão grave. Mudando seu pensamento de Eu sou um fracasso, nunca serei capaz de emagrecer para Eu posso recomeçar da maneira certa agora mesmo, ela foi capaz de retomar o regime.

Sue teve outras recaídas, mais amenas, mas aprendeu a mantê-las em perspectiva. Aprendeu também a se preparar previamente para os momentos de estresse. Ela evoluiu até ser capaz de aderir ao seu projeto de emagrecer, independentemente do que acontecia em sua vida. Ela quebrou o círculo ioiô em sua dieta, emagreceu 25 quilos e se mantém assim por 12 anos.

A história de Sue é típica de pessoas com as quais trabalho hoje e com as quais já trabalhei por anos. E pode ser a sua história também. Se você é triste ou alegre, se fica em casa ou trabalha fora, se come compulsiva ou socialmente, se é principiante ou experiente em dietas, você pode ser beneficiado pela dieta definitiva de Beck.

A dieta de Beck baseia-se no mesmo planejamento que utilizo com meus paciente que querem emagrecer. Ela funciona independentemente da sua constituição psicológica particular, do seu estilo de vida e das circunstâncias familiares. Se você é triste ou alegre, se fica em casa ou trabalha fora, se come compulsiva ou naturalmente, se é principiante ou experiente em dietas.

No passado, você pode ter conseguido fazer mudanças de curto prazo em seus hábitos alimentares para emagrecer. Porém, quando o caminho se tornou difícil, você abandonou essas mudanças porque não sabia responder a pensamentos sabotadores como:

•É muito difícil fazer dieta.
•Eu tenho que comer. Eu não tenho autocontrole.
•Eu não quero magoá-la, portanto vou comer o que ela preparou.
•Não consigo fazer dieta quando estou estressado.
O conjunto de estratégias psicológicas deste livro o ajudará de diversas maneiras. Você aprenderá a resistir ao impulso de comer exageradamente quando tiver que encarar os desejos incontroláveis, a fome, o estresse, as pressões sociais ou outros problemas. Aconteça o que acontecer, você estará apto para fazer dieta e exercícios físicos. Você aprenderá a pensar como uma pessoa magra. Essas estratégias exigem prática, mas, com o passar do tempo, se tornarão automáticas.

Por experiência própria, entendo os desafios enfrentados pelos que fazem dieta e posso também testemunhar a favor do sucesso da terapia cognitiva para superar esses desafios. Comecei a fazer dieta quando era adolescente e entrei e saí delas por muitos anos. Tive, também, muitos pensamentos sabotadores como:

•Deveria comer o mínimo possível.
•Se os outros não me virem comendo, então, realmente, não conta.
•Caí em tentação. Sou culpada pela minha fraqueza.
•Se eu comer qualquer coisa não programada, posso também abandonar minha dieta durante o dia inteiro.
Como foi, então, que consegui emagrecer e manter meu peso até agora? Aprendi com os pacientes que aconselhei. Uma das primeiras pessoas que atendi depois de me tornar psicóloga foi uma mulher que sofria de depressão e ansiedade. Depois de várias semanas de terapia, ela começou a se sentir melhor e disse que tinha uma nova meta: queria emagrecer. Foi muito fácil constatar como os seus pensamentos eram irrealistas e imprecisos quando se tratava de comer e fazer dieta. Pude perceber, imediatamente, que ela precisava mudar seus pensamentos para poder mudar o comportamento alimentar. Aprendi muito com ela e com outros pacientes que vieram depois dela, que também queriam emagrecer. Então, apliquei a mim mesma o que havia aprendido e emagreci pouco mais de 6 quilos. Isso foi há muitos anos atrás e tenho me mantido assim desde então.

Nesses últimos 20 anos, aprendi, através de tentativas e erros, o que funciona e o que não funciona na dieta. Durante esse tempo, descobri inúmeros fatores cruciais. Por exemplo, para emagrecer e não voltar a engordar é importante:

•Escolher uma dieta nutritiva.
•Arrumar tempo e energia para fazer dieta.
•Planejar o que e quando comer.
•Procurar apoio.
•Lidar com a decepção.
•Ver o ato de comer exageradamente como um problema temporário que você pode resolver.
•Saber lidar com a fome e o desejo incontrolável de comer.
•Eliminar o ato de comer pelo fator emocional.
•Elogiar a si mesmo.
Você ainda não sabe fazer essas coisas ou, pelo menos, não sabe como fazê-las de forma constante, mas vai aprender uma nova habilidade a cada dia. No final de seis semanas, você terá aprendido tudo o que precisa para continuar emagrecendo e não voltar a engordar. Você chegará ao ponto de reagir de maneira diferente quando olhar para um alimento que não deveria comer.

Você provavelmente perceberá que fazer dieta e emagrecer tem um ciclo previsível: durante uma ou duas semanas você acha que é relativamente fácil. Então, as coisas parecem se tornar mais difíceis. Os desejos incontroláveis surgem ou se intensificam. A vida interfere. Os horários na sua agenda estão tomados. Você se sente emocionalmente estressado. E, então, você encontra inúmeras razões para se afastar da dieta.

Entretanto, se você continuar praticando as habilidades descritas neste programa, você será bem-sucedido. A dieta se tornará fácil. Os desejos incontroláveis e a fome diminuirão. Você encontrará maneiras eficientes de lidar com o estresse. Seus pensamentos mudarão. Na verdade, você chegará ao ponto de reagir de maneira diferente quando olhar para um alimento que não deveria comer. Em vez de dizer Eu gostaria de poder comer isto e se sentir triste, ou É injusto não poder comer isto e se sentir infeliz, você vai dizer, automaticamente, Estou tão feliz por não comer isto. Em algum momento, você vai mudar de Eu odeio me privar para Estou feliz por não ter comido exageradamente! Apenas faça o necessário, um dia de cada vez, como este livro sugere. Você chega lá!

A terapia cognitiva é um tratamento psicoterápico que irá ajudá-lo a ser bem-sucedido na meta de emagrecer e manter o peso conquistado. Sua maneira de pensar sobre alimentos, comer e fazer dieta influencia seu comportamento e como você se sente emocionalmente. Certos pensamentos dificultam a continuidade da dieta e a manutenção da perda de peso. A dieta de Beck leva você a mudar seus pensamentos sabotadores para pensamentos adaptativos que o conduzirão ao sucesso.