segunda-feira, 9 de maio de 2011

Transtornos de Personalidade

Pai, mãe, filhos, primos, amigos, conhecidos, conhecidos de conhecidos....

Transtornos de Personalidade
Era uma pessoa com um comportamento dito “normal”, até àquele dia. Os amigos não conseguem ainda acreditar como ele foi capaz de agredir alguém. Logo ele que era tão pacato, tão calmo … tão emocionalmente controlado, por vezes frio.

Essa frieza que o fez espancar um amigo quase até à morte por causas mesquinhas e fúteis, é agora motivo de apreensão. Contudo, por detrás destas mudanças comportamentais, aparentemente abruptas e inexplicáveis, existem muitas vezes transtornos de personalidade, que foram crescendo e minando internamente o sujeito, sem que ninguém desse por isso.

O que é a personalidade ?
A personalidade é definida pelo tipo de emoções e comportamentos que um indivíduo manifesta. O comportamento final de uma pessoa é, assim, resultado de todos os seus traços de personalidade e o que diferencia a normalidade da patologia é a frequência e a intensidade de cada traço.

Os transtornos de personalidade afetam o modo como o sujeito vê o mundo, como expressa as emoções e o comportamento social. Caracterizam um estilo de vida mal adaptado, inflexível e prejudicial quer a si próprio quer aos outros que com ele convivem.

Usualmente aparecem no início da idade adulta e, quando não são tratados, tornam-se crónicos. Poderíamos facilmente confundir manifestações comportamentais próprias da adolescência, com sinais de patologia. Então, ainda que os primeiros sinais de distúrbio surjam mais cedo, convencionou-se que o diagnóstico final apenas é feito na idade adulta.

Existem 9 tipos de personalidade…

Personalidade borderline (limite) - a instabilidade das emoções é o traço mais marcante deste transtorno. O seu comportamento impulsivo é frequentemente auto-destrutivo. Pessoas com este tipo de personalidade, tendem a não possuir um projeto de vida, ou uma escala de valores duradoura.

Personalidade anti-social - caracteriza-se pelo padrão social de comportamento irresponsável, explorador e insensível, assim como ausência de culpabilidade. Não têm capacidade para se ajustarem às leis vigentes, o que os leva a terem problemas legais e criminais. São pessoas que tendem a manipular os outros em proveito próprio e estabelecem relacionamentos com facilidade (principalmente quando é do seu interesse), mas dificilmente são capazes de mantê-los.

Personalidade esquizóide – há, sobretudo, dificuldade em estabelecer relações pessoais ou de expressar as emoções. A indiferença é o aspecto básico, assim como o isolamento e o distanciamento sociais. Aquilo que na maioria das vezes desperta prazer às pessoas, não lhes diz nada (como por exemplo, o sucesso no trabalho, no estudo ou uma conquista afetiva). Não se perturbam com elogios ou críticas.

Personalidade Paranoide - caracteriza-se pela tendência para a desconfiança em relação a tudo e a todos. Acreditam que estão sempre a ser explorados ou enganados, mesmo que não encontrem motivos razoáveis para isso. A expressão das emoções é muito pobre e controlada, o que os leva a serem encarados como pessoas frias. A hostilidade, irritabilidade e ansiedade são sentimentos frequentes entre os paranóides. Dificilmente se riem de si próprios, ou de seus defeitos, e ficam bastante ofendidos quando lhe apontam algum.

Personalidade dependente – as pessoas com este tipo de personalidade precisam de outras para se apoiarem emocionalmente. Sentem-se completamente desamparadas quando estão sozinhas. Permitem que os outros tomem decisões importantes a respeito de si mesmas. Resignam-se e submetem-se com facilidade, chegando mesmo a tolerar maus tratos.

Personalidade ansiosa - o padrão de comportamento é inibido e ansioso. Possuem uma baixa auto-estima. São pessoas muito sensíveis a críticas e rejeições, apreensivas e desconfiadas, têm por isso mesmo grandes dificuldades em manter relações sociais.

Personalidade histriónica – há uma grande tendência para a dramatização. Este tipo de pessoas vivem como se desempenhassem um papel, sendo a vida um enorme palco. São eternos "carentes afetivos", com comportamentos sedutores e, ao mesmo tempo manipuladores, exibicionistas, fúteis. Facilmente mudam de atitude e de emoções, deixando os outros perplexos. Tudo é levado ao exagero, desde as calorosas recepções a pessoas que acabaram de conhecer, até aos acessos de raiva e choro convulsivo, que ocorrem em situações de pouca importância.

Personalidade obsessiva - tendência ao perfeccionismo, para o rigor e disciplina, quer consigo, quer com os outros. Emocionalmente são pessoas frias e formais. Tendem a optar pelo trabalho em detrimento da família ou amigos e, quando estão com estes, costumam assumir um comportamento reservado, dominador e inflexível.

Personalidade narcísica - Os indivíduos com este transtorno têm um sentimento grandioso de sua própria importância. Habitualmente são presunçosos ou arrogantes. Nas suas atitudes está subjacente uma desvalorização dos outros, associada à apreciação exagerada de suas próprias realizações. Um indivíduo com este transtorno da personalidade acredita que é superior, especial ou único e espera que os outros o reconheçam como tal.


Causas e consequências

As causas destes transtornos geralmente são múltiplas e intimamente relacionadas com as vivências da infância e adolescência. Habitualmente o próprio sujeito não se mostra muito incomodado, até porque não possui a clara noção do impacto que o seu transtorno tem no meio social envolvente. São então os amigos e familiares que insistem para que procure uma ajuda.

Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica.