quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Escudo emocional - I

A ideia de que a forma como gerimos as emoções tem efeitos na nossa saúde está a tornar-se uma certeza para a comunidade científica

Stress, depressão, doenças coronárias e cancro são palavras assustadoras mas, cada vez mais, presentes nas nossas vidas.

A sociedade actual deixou-se enredar num sem número de situações indesejáveis e os nossos comportamentos são pautados por altos níveis de ansiedade e stress. As consequências dessa postura, garantem estudiosos e especialistas da temática, não são animadoras.

A boa notícia é que a forma como gerimos e controlamos as emoções podem, até certo ponto, funcionar como um escudo protector. Conheça o resultado de alguns estudos importantes nesta área e as opiniões de um psicólogo atento a esta temática.

«Uma vasta investigação científica permite-nos afirmar que é muito óbvia a ligação entre a mente e o nosso estado de saúde. Essa ligação é melhor entendida se estabelecermos uma relação entre os processos superiores da mente (pensamentos, percepções e significações da pessoa) e as suas consequentes respostas emocionais que têm uma forte influência no sistema imunitário», afirma Edgar Pereira, psicólogo.

Assim, respostas emocionais negativas muito fortes (como apreensão, medo ou tristeza), que ocorram durante muito tempo, acabam por afectar o nosso sistema imunitário, responsável pela identificação e supressão de agentes infecciosos externos.

Isto origina uma menor aptidão para desenvolver eficazmente a sua função, acabando por não conseguir evitar o desenvolvimento de algumas doenças.

O factor personalidade

É crescente o número de especialistas que defendem que existe também uma relação intensa entre a rapidez da evolução de uma doença e situações de desgaste ou choque emocional, sobretudo quando esses quadros são prolongados e vividos intensamente.

Há ainda estudos científicos que estabelecem fortes ligações entre certos estados de ansiedade e depressão e um aumento de risco de acidentes vasculares cerebrais e de doenças coronárias.

Segundo revela Edgar Pereira, «estes estudos, realizados pelos cientistas Meyer Friedman e Ray Rosenman, demonstraram correlações entre a personalidade e a doença cardíaca».

De acordo com estes autores existem dois tipos de comportamento, A e B, sendo que o primeiro (caracterizado por personalidades impacientes, competitivas e ambiciosas) é o que maiores riscos apresenta.

Terapias psicológicas

Actualmente, no tratamento de quadros como depressão ou ansiedade a utilização de fármacos é, em muitos casos, combinado com o recurso a terapias do âmbito da Psicologia. Embora as intervenções farmacológicas sejam uma «ferramenta» essencial da Psiquiatria e constituam uma ajuda determinante não alteram significativamente hábitos de pensamento.

Segundo Edgar Pereira, «são muitas vezes estes hábitos que constituem o material que vai ser analisado e melhorado nas sessões de terapia. Ao mudarem-se hábitos de pensamento, mudam-se também os níveis e a qualidade das reacções emocionais».

Fonte:Sapo